Criação - Que garantidas deverão ser dadas ao comprador?
Iniciado por Crustie em 11 de fevereiro de 2008 · 9 mensagens
- Crustie11 de fevereiro de 2008 · #1
Que tipo de garantias poderão e deverão (ou não) ser dadas pelo criador ao comprador no momento da aquisição do cachorro e até onde podem ir as falsas garatias e a publicidade enganosa?
O que acham deste assunto?
- Pineland - Alcides12 de fevereiro de 2008 · #2
Eu acho ótimo, já que de uma certa forma vai completar a votação que propuz sobre o exame de displasia.
A melhor garantia que podemos ter é o que os nossos olhos vêm e o nosso coração sente...
Ver toda a papelada...pedigrees, linhas de sangue, titulos de provas de trabalho e beleza, despistes de doenças genéticas, condições em que os cães e ninhadas estão, condições fisicas dos cães, se há cães velhotes e como estão tratados, relacção do criador com os cães, reacção dos cães ao criador (dono), qual a sua preocupação ao fazer uma ninhada, com que frequência a faz e porquê, o seu interesse e conhecimentos sobre a raça... um monte de pequenos pormenores que por vezes nem nos passam pela cabeça mas que devemos ter em conta.
As garantias escritas sempre me pareceram que garantem mais o lado do criador do que o lado do comprador. Acredito mais num acordo de cavalheiros, ter a certeza de que estou a lidar com uma pessoa séria, que se preocupa com os seus cães e sonda os futuros donos apresentando todas as vantagens e desvantagens de ter cão, que me passe os papeis para a mão sem ter que ser eu a pedi-los, que não me venha com conversinhas mansas (odeio!), que seja frontal, honesto e tenha paixão pela raça.
Eu comprei a minha labrador a um criador que consta da lista de criadores da CPC e pensei que isso era alguma garantia quanto a saúde e despiste de doenças genéticas, mas não foi esse o caso. Ela foi diagnosticada com displasia de grau E aos 5 meses de idade, o médico que a operou garantiu que se trata de causas genéticas e não ambientais.
Comuniquei o facto ao CPC (até porque eles têm um programa nacional de controle e despiste da displasia e pensei que pudesse ser de interesse), mas até à data, ignoraram por completo as minhas solicitações.
De qualquer modo, não vou desistir na minha tentativa de alertar as pessoas para os perigos que podem existir e responsabilizar os criadores pela sua irresponsabilidade em cruzar raças que não devem, de todo, ser cruzadas.
Concordo que devia haver uma documentação standard para a aquisição de um cão, que dê garantias a quem adquire, por forma a poder responsabilizar quem age de manifesta má fé. No mínimo, devia existir um "checklist" de perguntas a fazer, documentos a pedir, aquando a compra de um cão.
Penso ser no interesse de todos (e sobretudo dos cães que sofrem às mãos de criadores que nada mais procuram se não o lucro) que haja maior transparência e responsabilização em todo o processo.
Neste momento, parece-me que manifestamente não é esse o caso...
- Pineland - Alcides25 de fevereiro de 2008 · #5
Vicky escreveu:Eu comprei a minha labrador a um criador que consta da lista de criadores da CPC e pensei que isso era alguma garantia quanto a saúde e despiste de doenças genéticas, mas não foi esse o caso. Ela foi diagnosticada com displasia de grau E aos 5 meses de idade, o médico que a operou garantiu que se trata de causas genéticas e não ambientais.
Comuniquei o facto ao CPC (até porque eles têm um programa nacional de controle e despiste da displasia e pensei que pudesse ser de interesse), mas até à data, ignoraram por completo as minhas solicitações.
De qualquer modo, não vou desistir na minha tentativa de alertar as pessoas para os perigos que podem existir e responsabilizar os criadores pela sua irresponsabilidade em cruzar raças que não devem, de todo, ser cruzadas.
Concordo que devia haver uma documentação standard para a aquisição de um cão, que dê garantias a quem adquire, por forma a poder responsabilizar quem age de manifesta má fé. No mínimo, devia existir um "checklist" de perguntas a fazer, documentos a pedir, aquando a compra de um cão.
Penso ser no interesse de todos (e sobretudo dos cães que sofrem às mãos de criadores que nada mais procuram se não o lucro) que haja maior transparência e responsabilização em todo o processo.
Neste momento, parece-me que manifestamente não é esse o caso...
Olá Vicky,
Quando vc comprou o seu filhote pediu ao criador que lhe mostrasse os exames de despiste dos pais da ninhada?
Quando recebeu o filhote, eles laudos fazem parte da documentação que acompanha o filhote na entrega aos novos donos?Na sua citação puz em negrito uma observação que vc fez.
Na realidade, em relação a displasia, não existe garantia nenhuma quando se faz um cruzamento que alguns desses filhotes não venham a ter displasia. Quem disser a vc que garante está mentindo.A displasia faz parte de algumas raças, não foi criado pelo homem quando começou a criar a raça. Os exames dos pais é uma forma na minha opinião ainda tosca que tentar frear a doença.
Só que o criador que tem o seu plantel todo radiografado pelo menos está tentando diminuir a incidencia da doença e assim está mostrando responsabilidade com a raça e pelos futuros proprietários dos filhotes.Agora, infelizmente, nem todo mundo é assim. Muitos visam somente o lucro e como muitas pessoas quando vão comprar o filhote, não estão informadas o quanto deveriam estar acabam acontecendo esse tipo de coisa.
Olá
infelizmente não pedi os exames de despiste (nem nunca tinha ouvido falar em displasia !) quando comprei a minha cadela.
E sei que não podem garantir que o animal não terá displasia - o médico confirmou-me isto. Contudo, o que ele disse é que uma displasia daquele grau naquela idade era muito grave e era uma irresponsabilidade do criador ter cruzado os pais da minha cadela. O meu receio é pelas outras 7 crias que nasceram daquela ninhada, será que passaram pelo mesmo? Será que este criador vai continuar a cruzar estes cães?
o que seria ideal é dar informações claras a pessoas como eu que só querem comprar um cão, sobre o que devem pedir aos criadores, uma lista da informação que lhes deve ser fornecida pelo criador, para tentarem (na medida do possível) evitar males piores...
- Pineland - Alcides25 de fevereiro de 2008 · #7
Vicky escreveu:E sei que não podem garantir que o animal não terá displasia - o médico confirmou-me isto. Contudo, o que ele disse é que uma displasia daquele grau naquela idade era muito grave e era uma irresponsabilidade do criador ter cruzado os pais da minha cadela. O meu receio é pelas outras 7 crias que nasceram daquela ninhada, será que passaram pelo mesmo? Será que este criador vai continuar a cruzar estes cães?
Vicky,
Eu tenho aqui um cão de grau E. Quem ve a chapa diz que o cão não tem condições nenhuma de se locomover. E ele tem vida praticamente normal.
Ele veio de um cruzamento onde os pais ambos eram grau A.
Foram 8 filhotes na ninhada dele. Sabemos o resultado de 3 (A, D e E)
Com isso pode ser que os irmãos da ninhada do seu filhote podem não ter o resultado da chapa que o seu teve.Como a displasia é uma doença poligenica, existe uma linha de pensamento que diz que em 24% das combinações possíveis num cruzamento trazem a displasia. Sendo assim numa ninhada 24% pos filhotes serão displasicos. Na ninhada do meu bateu.
Só que isso ainda não está muito bem provado.Quanto as informações, aqui mesmo no forum, vários são os tópicos que alertam que os exames de despiste devem ser exigidos, assim como a documentação legal do cão.
O que ocorre é que a pessoa só passa a se informar sobre a raça (pesquisa na internet, compra de livros, foruns) depois que compra o filhote, quando o certo seria a busca do maior número de informações antes de comprar o filhote.Mesmo sendo um ser vivo, não deixa de haver uma trasação comercial, e assim sendo deve ser tratada como se trata uma compra qualquer.
Ninguem compra um carro ou uma casa antes de ver se está tudo legalizado e em perfeito estado. Muito obrigado, Alcides, o seu post é muito esclarecedor. De facto, não tinha a noção de que dois pais com grau A poderiam resultar em crias com grau E e que pode haver variações mesmo entre irmãos da mesma ninhada.
Há um ditado que diz "casa roubada, trancas à porta" e parece ser o meu caso... o que queria era de certa forma ajudar ou contribuir para que futuros compradores não passassem pelo mesmo.
Se fosse obrigatório aos criadores submeterem os animais a procriar à radiografia e despiste para que pudessem fazer criação, e fornecer certa documentação mínima aos compradores, talvez atenuasse a ocorrência destas situações. Embora não seja garante da inexistência da displasia, pelo menos haveria transparência na transacção e demonstração de boa fé de ambas as partes.
Talvez seja utópico mas penso que não podemos cruzar os braços e esperar pelo melhor...
Já agora, aproveito para dizer que este portal tem sido uma dádiva, é uma imensa ajuda para quem navega nestas águas pela primeira vez...
- Pineland - Alcides25 de fevereiro de 2008 · #9
Vicky escreveu:Muito obrigado, Alcides, o seu post é muito esclarecedor. De facto, não tinha a noção de que dois pais com grau A poderiam resultar em crias com grau E e que pode haver variações mesmo entre irmãos da mesma ninhada.
Há um ditado que diz "casa roubada, trancas à porta" e parece ser o meu caso... o que queria era de certa forma ajudar ou contribuir para que futuros compradores não passassem pelo mesmo.
Se fosse obrigatório aos criadores submeterem os animais a procriar à radiografia e despiste para que pudessem fazer criação, e fornecer certa documentação mínima aos compradores, talvez atenuasse a ocorrência destas situações. Embora não seja garante da inexistência da displasia, pelo menos haveria transparência na transacção e demonstração de boa fé de ambas as partes.
Talvez seja utópico mas penso que não podemos cruzar os braços e esperar pelo melhor...
Já agora, aproveito para dizer que este portal tem sido uma dádiva, é uma imensa ajuda para quem navega nestas águas pela primeira vez...
Faça então a sua parte, assim como todos nós que gostamos da raça. Procure se informar e aprender bem sobre ela e divulgue os seus conhecimentos a quem não sabe
Vc está no caminho certo. Mas é um longo caminho a fazer com que se mude a forma de pensar das pessoas. Já que precisam de mais conhecimento antes de comprar um animal que irá conviver com a rotina da família por muito tempo.
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