Cãotinho do Labrador

Dualidade de Comportamentos

Iniciado por Joana Parente em 13 de janeiro de 2009 · 19 mensagens

Arquivo do fórum (2003–2018), só de leitura. As conversas continuam na comunidade.
  1. Bom Dia

    Bem venho aqui por uma duvida sobre o comportamento do Cão da minha Sogra (Jazz).
    O que se passa e que ele quando vai com o meu Marido porta-se como se fosse outro animal.
    Vai solto sem ser a trela e obedece a tudo,desde nao ir ter com outros caes,nao comer coisas na rua,vir quando chamam etc.
    So acreditá-mos quando ele o levou e nos ficámos de longe a ver,mesmo ai ele veio ter connosco (mais tarde quando nos cheirou) o meu Marido passa por nos diz "Entao boa tarde "com um sorriso de orelha a orelha diz "Vamos Cão" e ele segue-o sem olhar para traz sequer.
    Connosco (comigo,com a minha Sogra e o meu Sogro)e precisamente o contrário faz tudo exactamente de forma inversa parece que e a provocar.
    Se a coisa que aquela Cão nao tem e falte de atençao logo penso que nao seja por ai.
    Ja pensei que pode ter doença bipolar (brincadeira).

    Cumprimentos a todos.

  2. eu não percebo muito bem de psicologia canina mas acho que ela tornou o seu marido o halfa isto quer dizer que para ela ele e quem manda e o resto e familia espero ter ajudado mas havera pessoas no forum que lhe vão esplicar melhor 😉 😉 😉

  3. Joana, isso é super comum, eles se portam um pouco diferente de pessoa para pessoa; com um andam sem puxar a trela, com outro já puxam, com um brincam de correr, com outro não...
    O que determina isso são as nossas diferenças individuais que eles percebem a perfeição, em outras palavras, cada um, percebendo ou não, treina o cão a sua maneira.
    O remédio mais simples seria começar a sair com o seu marido para aprender como é que ele faz, não precisa fazer igualzinho, apenas precisa seguir o princípio usado por ele.

  4. Luiz,

    será que o cão estabeleceu a seguinte hierarquia?
    - Alfa (líder): o marido da Joana
    - o cão
    - todos os restantes abaixo do cão (incluindo Joana)

    Provavelmente os restantes membros da família não são explícitos ao ponto do cão perceber que o lugar dele é abaixo deles. Será?

  5. Boa tarde
    Segundo essa coisa do alfa, li umas coisas interessantes na net no outro dia. Um estudo de um individuo que dizia que o cão não nos encara por hierarquia, por uma serie de coisas, do género de não sermos da mesma especie, n falarmos igual e cheirarmos igual. Resumidamente era uma ideia errada e que o cao não percepcionava algumas actitudes que os donos tem para se intitularem alfas.. Grande confusão mas ja li isto pela net algures..

    Cumps

  6. A minha também tem atitudes diferentes com pessoas diferentes. Por exemplo: quando chego a casa ela fica toda contente, salta mas não me encosta as patas, não me toca. Com a minha mulher salta-lhe para cima literalmente! Empurra-a, é uma loucura. Mas não quer dizer que goste mais dela que de mim, tem é um comportamento diferente. Eu sou mais rígido com ela do que a minha mulher, daí também ela acatar mais facilmente as minhas ordens do que as dela... Penso que depende de até onde os deixamos ir e do "respeito" que impomos. Não sei se será fácil mudar o comportamento desse cão agora mas podem tentar... Com os métodos adequados, claro... :lol

  7. Scuba escreveu:Luiz,

    será que o cão estabeleceu a seguinte hierarquia?
    - Alfa (líder): o marido da Joana
    - o cão
    - todos os restantes abaixo do cão (incluindo Joana)

    Provavelmente os restantes membros da família não são explícitos ao ponto do cão perceber que o lugar dele é abaixo deles. Será?

    Elisabete, dentro dessa linha de pensamento onde os cães estabelecem conosco as mesmas relações que estabelecem entre eles, parece que é da forma como expôs...porém tenho como referencial que eles não estabelecem conosco as mesmas relações que estabelecem entre si; é apenas uma outra abordagem que se adequa melhor a minha forma de ver essa relação.

    Cantarino escreveu:O que determina isso são as nossas diferenças individuais que eles percebem a perfeição, em outras palavras, cada um, percebendo ou não, treina o cão a sua maneira.

    Existem cães que são mais sensíveis e um forte NÃO pode ser mais que o suficiente, outros são mais "insistentes" e o NÃO ou até mesmo gestos ameaçadores, não estou dizendo que seja esse o caso, são vistos como convites para que ele continue fazendo o que estava fazendo, nestes casos uma outra abordagem é mais indicada; falando resumidamente, a gente ignora os comportamentos que julgamos inadequados e reforçamos os que julgamos adequados...o princípio é o seguinte:
    - Uma resposta que é reforçada tende a se repetir, já uma que não é reforçada (ignorada) tende a se extinguir.

  8. Obrigado pelas respostas dos foristas.

    O que se passa segundo o meu Marido é que diz que da-mos as ordens como quem pede um favor,confesso que já o acompanha-mos em diversas "aulas" e os três estamos de acordo que nao há diferença na forma como fala-mos com o Jazz e da forma como ele faz.
    Até mesmo o meu Sogro que lhe dirige as ordens com voz grossa ele as vezes obedece outras e como se nao fosse com ele e desata na brincadeira e a fugir.
    O Paulo na brincadeira diz que é porque o hipnotiza primeiro, mas sinceramente não sei como ele lhe obedece porque nem passam muito tempo juntos às vezes chegam-se a ver apenas uma vez por semana.
    Confesso que agora a coisa agora parece ter acalmado, mas cheguei a recear pelo Jazz,pois a minha Sogra dizia ja desesperada que assim não podia ser e por outro lado o Paulo avisou logo que cães a menos que seja O dele nao ficam a habitar cá em casa.

  9. O Paulo está brincando, Joana. 😉

    Imagine um ser que apresente comportamentos, sejam eles provocados pela genética ou pelo ambiente e que aprendam de uma forma semelhante à nossa, ou seja, pelo Reforço.
    Para ter uma ideia de como funciona, vamos supor que ao ir para o trabalho ache uma nota de Dez Euros em baixo de uma determinada árvore...eu não preciso dizer que qualquer pessoa passaria a olhar sempre para o mesmo local todas as vezes que passasse por lá, até que depois de muito tempo sem achar mais nada desistisse, porém se achasse com regularidade, certamente sempre olharia para lá e até mesmo arrumaria um jeito de passar por lá.
    Em uma outra ocasião, uma pessoa é parada por um carro de polícia com as luzes acesas por estar com a lanterna do carro quebrada e ainda toma uma boa multa...seria natural que essa pessoa sentisse um frio correr pela espinha todas as vezes que visse um carro de polícia atrás dela com as luzes acesas.

    Seria assim para ficar mais bem explicado a questão do Reforço, a psicologia animal surgiu de maneira a apoiar a teoria evolucionaria darwiniana, já que esta sofria grande oposição,vários pensadores surgiram, um deles foi Skinner, que acabou se interessando pelo trabalho de outro chamado Pavlov.
    Diferentemente de Pavlov que se interessou pelo Reflexo Condicionado, ou seja, quais seriam as alterações fisiológicas no organismo frente a um estimulo previamente condicionado, Skinner se interessou pela reação comportamental do organismo, ele chamou de "operante", novamente, frente a um estimulo previamente condicionado.

    Skinner chegou à conclusão de que o que determina o Comportamento é o Reforço, e chamou este tipo de condicionamento de Operante, pois a resposta do organismo Opera no meio.

    Em experiências no seu laboratório, viu que o Reforço pode ser uma Recompensa ou uma Punição e estes ainda podem ser Positivos ou Negativos. Positivo no sentido de se introduzir, adicionar algo e Negativo no sentido de se retirar, subtrair algo.
    Neste caso o Reforço pode ser:

    -Recompensa Positiva (dá-se um petisco)
    -Recompensa Negativa (afrouxa-se o enforcador)
    -Punição Positiva (dá-se um tranco no enforcador)
    -Punição Negativa (retira-se a nossa atenção)

    Continuando as suas pesquisas em seu laboratório, viu que o melhor esquema de reforçamento, o que produzia os melhores resultados e o que levava a uma curva de extinção maior, seria:

    - Recompensa Positiva
    - Punição Negativa

    A Punição Positiva, se fosse realmente eficaz, iria reduzir o numero de respostas na curva de extinção (nº de respostas esperado em uma extinção) de um determinado comportamento; o que ele viu empiricamente, foi uma supressão inicial das respostas, mas o seu numero foi o mesmo, o esperado, até a extinção.

    Como pode ver a única coisa que o Paulo faz é Reforçar os Comportamentos que ele julga serem os mais adequados, o que a Joana deve fazer é aprender "Como" o Paulo faz para Reforçar um comportamento, assim que aprender vai poder pedir algo ao Jazz que ele fará de imediato.

  10. Luiz... Sem palavras!

  11. NunoS@rdine escreveu:Luiz... Sem palavras!

    Olha, faço minhas as tuas palavras

    Grande Luiz!

  12. 😀

  13. 😀

  14. Joana Parente escreveu:Bom Dia

    Bem venho aqui por uma duvida sobre o comportamento do Cão da minha Sogra (Jazz).
    O que se passa e que ele quando vai com o meu Marido porta-se como se fosse outro animal.
    Vai solto sem ser a trela e obedece a tudo,desde nao ir ter com outros caes,nao comer coisas na rua,vir quando chamam etc.
    So acreditá-mos quando ele o levou e nos ficámos de longe a ver,mesmo ai ele veio ter connosco (mais tarde quando nos cheirou) o meu Marido passa por nos diz "Entao boa tarde "com um sorriso de orelha a orelha diz "Vamos Cão" e ele segue-o sem olhar para traz sequer.
    Connosco (comigo,com a minha Sogra e o meu Sogro)e precisamente o contrário faz tudo exactamente de forma inversa parece que e a provocar.
    Se a coisa que aquela Cão nao tem e falte de atençao logo penso que nao seja por ai.
    Ja pensei que pode ter doença bipolar (brincadeira).

    Cumprimentos a todos.

    O cao estabeleceu uma ligação com o seu marido em que são companheiros aproveitam o passeio deles, para o cão o seu marido toma a liderança e ele segue-o tendo nessa altura o seu marido atenção toda do cão, essa relação tem haver com a atitude que o seu marido adopta, imagino que nessa altura em que passeiam vai calmo confiante e a transmitir energias positivas ao cão.

    Com voces o cenario muda totalmente porque no momento que nao esta com o seu marido o cao automaticamente toma a posição de lider e voces sao as seguidores.porque voces já nao teem de certeza a mesma postura a mesma calma e ate mesmo confiança.

  15. Obrigado pelas respostas a todos e desculpem so responder agora mas os ultimos tempos têem sido algo complicados.

    A coisa estranha no meio disto tudo é que nao passam muito tempo juntos,pois se estivessem eu até compreendia.

    Lucy Chumi a questão e que ele nao o segue vai a frente mas tem sempre aquele elo de ligação de verificar onde o Paulo está,parece sempre preocupado em agradar-lhe enquanto connosco o processo é inverso.
    Por outro lado é como diz vê-se que são muito companheiros e que confiam muito um no outro.

    Com um cão de um colega do Paulo (cruzado de Pincher com Chiuaua com um ladrar mais irritante que alguma vez podem supor)de nome Guga passa-se o mesmo .
    O Cão esteve (três fins de semana não seguidos) connosco pois o colega teve de sair para fora e nao o pode levar.
    O Cão com o meu Marido vai á rua mesmo sem ser atrelado vê outros caes fica parado a olhar mas nao vai ter com eles nem ladra nem e agressivo(coisa que ele e bastante apesar de ser 2 Kilos de cão),com os donos é o total descalabro.
    O próprio Dono diz que nunca na vida pensou ver o Cão dele assim,já que com ele tem sempre de levar uns "cascudos" como ele diz.

    Felizmente a coisa acalmou Catalino e tambem acredito que o Paulo não deixa-se a minha Sogra fazer-lhe o que pensava que era deixa-lo preso há porta da cozinha e nao lhe ligar nenhuma ( é como ela o castiga).
    O giro no meio disto tudo e que o meu Marido fica algo irritado quando alguém o castiga,não diz nada nem interfere mas nos olhos vejo-o perfeitamente,nâo gosta de admitir mas no fundo (ou muito á superfície) acha-o dele.

  16. Como dizemos para os lados de cá, Joana, o Paulo tem a "manha". rsrsrs
    O que ele faz é induzir e modelar respostas nos cães, eu vou lhe ensinar a fazer o Jazz andar perto de você, na verdade é muito simples, apenas tem que se lembrar de treinar com o Jazz antes dele comer, pois usaremos petiscos para condicioná-lo.
    Pegue algum petisco bem saboroso, como um pedaço de peito de galinha, cozido apenas com água e um dente de alho ou uma linguiça de frango sem corante, os pedacinhos que irá dar ao Jazz serão bem pequenos +/-do tamanho de um grão de milho, vá com ele para o quintal e mostre a ele o petisco, inclusive dando alguns pedacinhos. Comece a andar pelo quintal com um pedacinho de petisco na mão correspondente ao dado que quer que o Jazz ande com você, não se preocupe por ele estar seguindo o petisco mais tarde iremos mudar isso...todas as vezes que ele estiver +/- onde quer use algum marcador verbal, como por ex "IIIsso" e o recompense, rapidinho ele irá perceber que andar +/- ao seu lado faz com que receba petiscos e pelo interesse do seu estômago passará a exibir essa resposta (andar ao seu lado)...não tenha pressa, vá fazendo isso por alguns dias e quando o Jazz estiver "preferindo" andar ao seu lado passe a não mostrar mais o petisco, mas continue marcando verbalmente e recompensando todas as vezes que ele exibir essa resposta...na medida em que ele for evoluindo, antes de dar a recompensa dê um tapinha na tua perna (esse tapinha será emparelhado com a recompensa e mais tarde terá um valor semelhante)...aos poucos comece a aumentar o intervalo entre o tapinha e a recompensa (o marcador verbal nessa altura já foi substituído pelo tapinha), depois de alguns dias introduza um esquema de recompensa aleatório, de maneira que o Jazz não saiba nunca quando será recompensado, no início usando intervalos bem curtos, depois vá aumentando esse intervalos até que comece a dar o petisco apenas de vez em quando, uma vez por semana, depois umas vez a cada duas semanas...sempre sem usar nenhum padrão, pois se usar o Jazz vai perceber, com o tempo não precisará dar mais petisco algum apenas a tua aprovação.

  17. Catalino obrigado pela dica .

    Hoje a D.Helena foi com ele á rua mais o Paulo,sua exelência portou-se que foi uma maravilha segundo ela.

    A táctica do Jazz e diferente Catalino assim que sai a porta com algum dos meus Sogros vai a correr fazer o que quer, ele é que arranja as suas recompensas.
    A minha Sogra chegou ao ponto de ter que o passear sempre á trela pois suas exelência fugia pura e simplesmente.

    O Paulo descobriu que ele nao é puro diz que e cruzado de:cabra, javali e hipopótamo.
    Da cabra herdou a capacidade de comer tudo,do porco a falta de maneiras e como entra pelo mato e do hipopótamo a quantidade de coisas que come, pois parece um poço sem fundo.

  18. Joana Parente escreveu: O Paulo descobriu que ele nao é puro diz que e cruzado de:cabra, javali e hipopótamo.
    Da cabra herdou a capacidade de comer tudo,do porco a falta de maneiras e como entra pelo mato e do hipopótamo a quantidade de coisas que come, pois parece um poço sem fundo.

    Não me aguentei de tanto rir com essa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  19. Joana Parente escreveu: Da cabra herdou a capacidade de comer tudo,do porco a falta de maneiras e como entra pelo mato e do hipopótamo a quantidade de coisas que come, pois parece um poço sem fundo.

    LLLOOOOOOOOOOOOOOLLL

    Joana, o erro foi meu, não lhe disse que temos que generalizar esse comportamento antes.
    De toda forma esse passeios sem trela são no campo?

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