Cãotinho do Labrador

Entrevista com Alcides Moraes PINELAND

Iniciado por NunoS@rdine em 21 de fevereiro de 2011 · 11 mensagens

Arquivo do fórum (2003–2018), só de leitura. As conversas continuam na comunidade.
  1. Continuando com as nossas entrevistas, desta vez tivemos o prazer de conversar com mais um criador Brasileiro. o Sr. Alcides Moraes do Canil Pineland.

    http://www.pinelandkennel.net/

    imagem indisponível

    Olá Alcides e antes de começarmos a nossa entrevista gostava de agradecer a sua disponibilidade e comentar-lhe também que é um orgulho para nós termos a possibilidade desta pequena conversa com um GRANDE da criação de Labradores do Brasil.

    Alcides Moraes: Fico muito lisonjeado com as suas palavras, mas sinceramente, ainda me sinto longe de ser considerado grande. Esse ano estamos entrando no 7º ano de criação e estará nascendo nossa 3ª geração de Pineland. É pouco para me considerar um dos grandes criadores de Labrador do Brasil. Prefiro me considerar como “estando no caminho certo” já que ainda temos muito a aprender, muito a errar e muito a construir em prol da raça.

    Cãotinho do Labrador: Começamos com uma pergunta bem fácil. Pode dizer-nos quem é o Alcides Moraes?

    Alcides Moraes: Tenho 54 anos, carioca (nome dado a quem nasce no Estado do Rio de Janeiro), filho de pai português da região de Aveiro e mãe brasileira, mas tb filha de pais portugueses da região de Tras-os-Montes e daí vem os laços afetivos com Portugal. Estou casado pela 2ª vez já a 8 anos e tenho uma filha de 25 anos do meu 1º casamento. Engenheiro Civil que a muito tempo não exerce a profissão cuida hj da administração dos bens da família. Considero-me uma pessoa simples e longe de ser perfeccionista, mas gosto, dentro de minhas possibilidades. fazer bem feito.

    Cãotinho do Labrador: Conte-nos como nasceu este seu gosto pela raça Labrador?

    Alcides Moraes: Na verdade esse gosto é bem antigo, mas na época estava relacionado ao cão Labrador. Não conhecia praticamente nada da raça, mas achava o cão muito bonito. Nessa época ainda estava no 1º casamento e minha ex nunca iria aceitar um cão daquele tamanho dentro de um apartamento. Quando me separei a fim de equacionar minha vida voltei a morar na casa da minha família e assim à vontade de ter um Labrador estava mais fácil de ser concretizada. Acontece que a minha irmã também tinha a mesma vontade e eu como trabalhava em casa, acabou facilitando a entrada de nosso 1º Labrador que é o Said em Junho de 2002. O nosso convívio com ele foi nos mostrando o quanto à raça é cativante e daí a alguns meses depois chegou o Ully e mais alguns meses depois o Hunter. Com os novos membros da família tivemos que mudar a nossa rotina de vida e passamos a freqüentar o “mundo pet” o que muito nos agradou.

    Cãotinho do Labrador: Começou logo por pensar em criar Labradores ou isso aconteceu mais tarde? E porquê?

    Alcides Moraes: Na verdade, tudo foi uma seqüência de acontecimentos que foram nos envolvendo pouco a pouco e gradativamente a nossa vida foi mudando, assim como também a nossa forma de pensar. O Said fazia muito sucesso já que existiam poucos cães chocolates naquela época e ele não se diferenciava do tipo corriqueiro do Labrador que víamos nas ruas mesmo ainda sendo um filhote. Naquela época o mundo pet estava em ascensão e as petshops do bairro reuniram-se patrocinando um evento onde uma das atividades era escolher o cão mais bonito entre os presentes e pra nossa alegria o Said foi o escolhido. Aconteceram outros eventos como esse e o resultado foi o mesmo. Num desses eventos fomos incentivados a participar das exposições formais e passamos a nos informar sobre o assunto. Descobrimos que havia um calendário anual com exposições ocorrendo no pais inteiro e junto a isso fomos descobrindo e conhecendo criadores que tinham pagina na Internet e foi por intermédio de um desses criadores que o Ully foi comprado. A nossa 1ª exposição formal foi um fiasco. Said não se enquadrava em nada aos Labradores que participavam da exposição. Frente a essa realidade aproveitamos a exposição para conversar com criadores que estavam dispostos a informar sobre a raça e constatamos que até a procura de informações sobre a raça estava errada. Nossa informação inicial estava ligada ao cão Labrador e a partir do momento que passamos a ter contato com criadores passamos a ser informados sobre a raça Labrador, o sentido de criação e aprimoramento genético. No final de 2002 o Ully chegou e de semelhança com o Said só existia a cor da pelagem. Em abril de 2003 o Ully passou a participar das exposições e isso fez aumentar o nosso contato com criadores e conseqüentemente o nosso conhecimento e pudemos ver de perto a alegria de um criador vendo a sua criação conquistar resultados e isso é contagiante. O empurrão que faltava veio de uma amiga da minha atual mulher que nos deu em Maio de 2003 uma cadela que também participava de exposições e assim estava completo o desejo de começar a criar a raça. Em Julho de 2003 compramos a propriedade aqui em Petrópolis, começaram as obras e nos mudamos pra cá em Dezembro de 2003. Em final de Janeiro de 2004 recebemos a homologação do nome do canil e o nº definitivo de registro e nossa 1ª ninhada nasceu em Maio de 2004.

    Cãotinho do Labrador: Atualmente quantos cães tem? E quantos deles são CH?

    Alcides Moraes: Incluindo nessa conta os 3 de dentro de casa, atualmente moram conosco um total de 24 cães. Outros 8 de nossa criação são em co-propriedade com outras pessoas, mas por conta de acasalamentos ou exposições passam períodos conosco. Em relação a Campeões são 25 no total sendo 18 Pinelands. Esse ano 4 jovem estarão completando 15 meses e assim estarão aptos a disputar esse título.

    Cãotinho do Labrador: Fala-se muitas vezes, entre os mais conhecedores, em linhas de sangue. Qual, ou quais as linhas de sangue que mais o cativam e porquê?

    Alcides Moraes: As linhas de sangue que mais usamos de forma mais geral são as linhas americanas Beechcroft, Hampshire e Lilimars. Porém usamos também linhas suecas e inglesas. Não temos uma preferência, nossas escolhas se baseiam nas características que nos agradam. (formato de cabeça, estrutura, pelagem, etc) Para dar um exemplo disso introduzimos em nosso canil uma linhagem inglesa bastante tradicional e conhecida no mundo todo mas resolvemos retirar todos os cães dessa linhagem e seus descendentes mais próximos porque eles produziam um formato de cabeça que não nos agradava. Logo o mais importante para nós não é a linha a ser usada e sim se o que ela produz nos agrada. Isso é o mais importante a ser observado e estudado.

    Cãotinho do Labrador: É bem conhecida a diferença entre o Labrador americano e o inglês. Pessoalmente qual acha que se adequa mais ao estalão da raça e porquê?

    Alcides Moraes: Veja bem, no meu entender a grande diferença está entre os padrões. O padrão inglês é mais interpretativo. Já o americano é mais taxativo em alguns pontos não admitindo interpretações e acho mais detalhado e abrangente. Cito como exemplo a cor do focinho nos amarelos. O padrão inglês não menciona que cor deve ser. O americano diz que tem de ser preto. Em relação aos cães de participam de exposições sejam elas do AKC ou da FCI não se nota diferença até pq com a globalização, os avanços na conservação de sêmen está facilitando muito o intercambio entre criadores e assim quase que posso dizer que a criação está unificada. Hj por exemplo é comum vc ver cães brasileiros e de outras partes do mundo participando da exposição do Kennel Clube de Potomac nos EUA que chega a reunir 1500 Labradores em julgamento. O ideal é que os padrões fossem unificados, mas isso já é "briga de cachorro grande", acho difícil acontecer.

    Cãotinho do Labrador: O Canil Pineland foi considerado o segundo melhor do Brasil no ano passado. Pode dizer-nos qual a sensação deste feito e o que é necessário para alcançar tão prestigiada proeza?

    Alcides Moraes: Para algumas pessoas o 2º lugar é entendido como o sujeito que nadou, nadou, mas acabou morrendo ao chegar na praia. Para nós o 2º lugar tem gostinho de 1º, já que o efetivo 1º lugar é inatingível para nós em razão do nosso pouco tempo e criação e conseqüentemente um nº pequeno de cães da nossa criação participando das exposições. Mas o que nos deixou mais alegres é que entre os 4 melhores Labradores do pais num ranking formado por 252 cães 2 são da nossa criação e nossa propriedade. (Akon - 2º Melhor Macho e 3º melhor Labrador e a Mila - 2ª Melhor Fêmea - 4º Melhor Labrador) e se aumentarmos um pouco a busca até o 8º lugar temos um 3º cão também nossa criação e propriedade (Lara - 3ª Melhor Fêmea e 8º Melhor Labrador). Com esses resultados somos o único criador na raça Labrador a ter da sua criação 2 cães entre os 4 melhores ou 3 entre os 8 melhores. Em relação a alcançar essa proeza, devo isso a meus cães que mostraram a qualidade que tem durante o ano todo obtendo esses resultados para nós.

    Cãotinho do Labrador: Qual a cor de Labrador que o Alcides mais gosta e porquê?

    Alcides Moraes: Quando pouco conhecia da raça, o amarelo era a cor que mais me chamava atenção, talvez pelo fato de ser a cor mais vista na rua naquela época. Mas os primeiros cães que tivemos são chocolates e pretos. Na verdade quando se cria uma raça que tem 3 variações de pelagem vc não pode se ter a apenas 1 ou 2 delas. As 3 tem de ser encaradas igualmente já que fazem parte da mesma raça. Apesar de que se alguém ver o nosso canil a maioria esmagadora é de pretos. Mas aí já vai outra história....

    Cãotinho do Labrador: Diga-nos Alcides, o que necessário para conseguir um plantel com tão invejável qualidade?

    Alcides Moraes: Alguns criadores montam o seu plantel baseado em excelentes machos não se preocupando muito com a qualidade das fêmeas. Só que o resultado de uma ninhada não depende apenas do macho e sim da união dos pais. Então, desde o início optamos por fazer uma seleção bem critica em relação a fêmeas já que assim nos cruzamentos futuros dessas fêmeas seriamos obrigados a selecionar machos tão excelentes quanto as fêmeas e a qualidade dos pais é determinante na qualidade dos filhos. E sinceramente, me orgulho das fêmeas que temos.

    Cãotinho do Labrador: A alimentação e a manutenção também é importante... Quer fundamentar esta questão com uma opinião sua?

    Alcides Moraes: Na minha opinião a alimentação é importante em todos os aspectos. Uma ração de qualidade além de manter o cão saudável durante toda a sua vida dara a chance durante a fase de filhote e de desenvolvimento que toda a genética incorporada tenha condições de vir à tona. Mas entendam que ela não trará o que o cão não tem em relação à genética.

    Cãotinho do Labrador: Existe assim alguma carateristica que mais o cativa num Labrador?

    Alcides Moraes: O Labrador na minha opinião personifica o lema do "estar de bem com a vida". Não tem tempo ruim pra ele. Ele sempre está disposto para o que vc quiser e vive com vc todas as situações. Independente da idade que tenha. E com a inteligência que tem, sabe usar sem precisar de muito esforço a cara de pobre coitado que é característica da raça para conseguir se sair bem em todas as situações.

    Cãotinho do Labrador: Pelo menos em Portugal esta raça que tanto amamos está cada vez mais estragada. Acha que a fama poderá de alguma maneira denegrir a imagem do típico Labrador? E porquê?

    Alcides Moraes: Posso dizer a vc que aqui no Brasil a situação não é diferente. E a maior causa disso a é a desinformação generalizada. O cão é o animal mais corriqueiro que existe. Todo mundo já viu um e o ato de ter um cão em casa a cada dia que passa se torna mais corriqueiro. Isso acaba criando uma situação de facilidade e aqui no Brasil se eu sair às ruas e perguntar as pessoas o que é a CBKC (CPC aí em Portugal), garanto a vc que poucas pessoas sabem o que é. Também poucas pessoas sabem que para cada raça existe um padrão pq poucas pessoas sabem que existe uma criação de cães legalizada e se sabem, pouca idéia tem como ela procede. Isso só facilita a venda indiscriminada e se o Labrador é o cão da moda é pq o ato de ter um cão em casa está na moda. E aí vem a grande falha, com as entidades, clubes de raça e tb criadores ficando em silêncio deixando a busca de informação ao leu. Está certo que muitas são as pessoas que apesar do silêncio buscam informações, só que na Internet que hj é a maior fonte de pesquisa tem de tudo e a pessoa com o pouco ou nenhum conhecimento fica sem saber se o que está lendo é certo ou errado. Outras já recorrem a livros que acabam sendo genéricos já que quem os escreve nem tem tanto contato assim com a raça ou então o contato é especifico em determinado ponto. Quando o certo seria a busca de livro escritos por grandes criadores que são verdadeiros ícones em suas raças onde vc entende noções de criação e pq muitas coisas acontecem. Mas como saber da existência dessas "bíblias" se a informação não é compartilhada.

    Cãotinho do Labrador: Acredita então que todos aqueles relatos que constantemente ouvimos acerca de um Lab com comportamentos desequilibrados tem a ver com a questão anterior?

    Alcides Moraes: Totalmente. Quem cria visando lucro, para tê-lo precisa de "mercadoria" a mão e a partir daí o que menos importa é a qualidade do cruzamento e sim a facilidade de ter a "mercadoria" que o "mercado busca". E como o gosto do mercado vária a preocupação é sempre se adiantar ao gosto popular. E como conhecimento despende tempo e dinheiro, o básico já é o suficiente para ganhar dinheiro e enganar os desinformados.

    Cãotinho do Labrador: Porque é que é necessário um criador ter os seus cães constantemente julgados?

    Alcides Moraes: O mais importante para um criador é ele olhar para o seu plantel e gostar do que vê já que ele cria para o seu gosto e não para gosto dos juizes, mas isso acaba criando o que chamamos aqui no Brasil de "cegueira de canil". Para evitar isso vc expondo a sua criação, essa exposição cria a critica e o elogio, mas tb cria a comparação que aos olhos do criador que quer enxergar, passa a ser o mais importante já que os julgamentos em si, alguns são primorosos, mas outros o melhor a fazer é deletar da mente.

    Cãotinho do Labrador: Diga-nos Alcides, que critério deve ter um futuro dono para escolher um cachorro no meio de tantos dentro de uma ninhada?

    Alcides Moraes: Talvez essa seja a pergunta mais difícil a ser respondida. Até pq o próprio criador ao fazer a sua escolha está fazendo uma aposta em determinado filhote que ele escolheu para ser incorporado ao seu plantel. Infelizmente, e já fui criticado por dizer isso, mas filhote tem tempo de venda já que a maioria esmagadora dos futuros proprietários querem sempre levar o filhote o mais novo possível para casa quando o certo seria levá-lo o mais tarde possível. E isso pode até apressar o criador na sua escolha para liberar os filhotes restantes sem risco de ficarem "encalhados" por estarem em idade mais avançada. Acho importante o futuro proprietário não ter pressa na compra. Buscar conhecimento sobre os criadores que está visitando de forma a ganhar confiança em suas palavras. Afinal ele que lida diariamente com os filhotes e como está como o futuro proprietário à escolha de um deles, saberá descrever cada um deles mais intimamente. E se o cruzamento foi idealizado para compor o plantel do criador tenha a certeza que cresce a importância da ninhada e a escolha como a descrição será mais apurada ainda.

    Cãotinho do Labrador: Para terminar, fazendo de conta que está a julgar um cão, como seria a sua descrição de um Labrador perfeito?

    Alcides Moraes: O Labrador ou o cão perfeito não existe, é uma utopia. Digo isso pq nunca se consegue uma unanimidade em qualquer assunto. Sempre existe alguém que irá levantar um ponto de discórdia seja ele relevante ou não, mas suficiente para acabar com a unanimidade, mas com uma importância vital já que isso que dá sentido a criação e a busca pelo cão perfeito. Assim, se eu fosse definir o Labrador em uma palavra, sem dúvida nenhuma essa palavra seria EQUILÍBRIO. Já que ele faz com que exista a harmonia no conjunto como um todo. Eu a julgar estaria analisando qual daqueles cães eu poderia levar para o meu plantel a fim de corrigir imperfeições que possa ter e aprimorar mais ainda a qualidade nos pontos que tenho e assim o julgamento seria a favor da qualidade e não pelos defeitos. Agrada-me muito ver um cão centrado que sabe dosar o seu temperamento em relação à atenção do que se passa a sua volta assim como tb dosar a sua movimentação mostrando leveza nos seus movimentos. Numa pista de julgamento em razão das linhas de sangue usadas vc terá uma variação de "tipos" já que alguns serão mais curtos, outros mais longos, outros mais cabeçudos, outros mais leves outros mais pesados e assim ira chamar a minha atenção aquele que o ponto principal é o todo e não um determinado quesito já que assim meus olhos irão ver um equilíbrio completo. Exemplificando isso mostro a vcs o meu Labrador que beirava a perfeição e digo que seria perfeito se tivesse o temperamento que uma das filhas dele tem. Apesar de ser meu modelo de Labrador não tenho autorização para postar essas fotos e assim informo o link para completar a descrição.
    ANNUAL'S CHIEF COMMANDER "TOBIAS" – (* 1999 / + 2009)
    http://www.annualskennel.se/Tobias_8.jpg
    Essa é a foto de premiação da Exposição Especializada da Raça julgada pela criadora americana Judy Heim do canil Hyspire Labradors em 28/06/2008 onde ele foi consagrado com o BISS. Nem parecia em pista um cão da Classe Veterano aos 9 anos de idade.

    http://www.annualskennel.se/tobias07-1.jpg
    Além disso, ele tinha uma qualidade primordial para qualquer criador.Produzia melhores fêmeas do que machos e nós aqui temos o privilégio de ter duas delas da nossa criação em nosso plantel
    Black Tob Mila of Pineland
    imagem indisponível

    Black Tob Malu of Pineland
    imagem indisponível

    Cãotinho do Labrador: Muito obrigado Alcides pelo seu tempo para esta conversa e também pelo seu contributo no aperfeiçoamento da raça Labrador Retriever!

    Alcides Moraes: Nuno, eu que agradeço já que assim pude mostrar como representante desde canil um pouco mais da nossa vida e nossa trajetória que pra nós é fruto de muito trabalho e estudo recompensado com a convivência intima que temos com nossos cães que mudaram totalmente o rumo de nossas vidas.

    Grande abraço.

    * Tomei a iniciativa de editar a entrevista no sentido de abrir a foto das minhas cadelas já que a Administração deste forum tem autorização para postar as fotos dos cães da miha criação sempre que se fizer necessário.

  2. Parabens por mais esta entrevista.
    Gostava so de ver respondida uma pergunta:
    Tenho lido alguns artigos e reparo que no Brasil tem eleito o melhor canil do Brasil.Isso é avaliado em que pontos?Existe alguma inspeçao ao canil,é avaliado o nº de CH ou existe alguma outra maneira de classificar isso?
    Fico contente por saber que o 1º e 2º lugar de melhor canil foram atribuidos a criadores de Labs e os dois presentes neste forum.
    Ja agora,se nao for indescriçao,quando o Alcides diz "Mas como saber da existência dessas "bíblias" se a informação não é compartilhada.",quer dizer que no Brasil existe uma inveja do trabalho feito,ao inves do que seria ideal,que seria uma partilha de conhecimento?
    Obrigado

  3. Parabéns por mais uma exelente entrevista.

    Agora respondendo a uma pergunta do qazzam, infelismente o que acontece no Brasil acontece em todo o lado nem todos os "Grandes" criadores estão dispostos a partilhar informação, têm medo da concorrência o que não leva ao melhoramento da raça quer dizer abanços vamos tendo mas mais demorados enquanto que se houve-se partilha de informação na minha opinião a qualidade das raças era muito melhor 🙁 🙁 🙁

  4. Adorei a entrevista 😉 😉

    Sem dúvida que estas entrevistas servem para uma melhor aprendizagem sobre a raça parabéns 😀

  5. qazzam escreveu:Parabens por mais esta entrevista.
    Gostava so de ver respondida uma pergunta:
    Tenho lido alguns artigos e reparo que no Brasil tem eleito o melhor canil do Brasil.Isso é avaliado em que pontos?Existe alguma inspeçao ao canil,é avaliado o nº de CH ou existe alguma outra maneira de classificar isso?

    Pelo menos aqui em Portugal existe um concurso anual do CPC que consiste em: os cães que fizerem BOB, ficarem entre os 3 BOG e/ou os 3 BIS, ganham pontos e consoante o nº de cães inscritos, mais pontos ganham. No final do ano o cão que tiver mais pontos é o Melhor Cão do Ano mas depois nessa corrida ainda existem outros prémios: ao primeiro cão de cada raça e ao melhor criador - > afixo mais representado da tabela. Pelo menos é assim que se faz por cá.

  6. Excelente entrevista :perf

  7. qazzam escreveu:Parabens por mais esta entrevista.
    Gostava so de ver respondida uma pergunta:
    Tenho lido alguns artigos e reparo que no Brasil tem eleito o melhor canil do Brasil.Isso é avaliado em que pontos?Existe alguma inspeçao ao canil,é avaliado o nº de CH ou existe alguma outra maneira de classificar isso?
    Fico contente por saber que o 1º e 2º lugar de melhor canil foram atribuidos a criadores de Labs e os dois presentes neste forum.
    Ja agora,se nao for indescriçao,quando o Alcides diz "Mas como saber da existência dessas "bíblias" se a informação não é compartilhada.",quer dizer que no Brasil existe uma inveja do trabalho feito,ao inves do que seria ideal,que seria uma partilha de conhecimento?
    Obrigado

    Antes de mais nada gostaria de fazer uma correção. No ano de 2010 fui o 2º Melhor Criador do Brasil em relação a Raça Retriever do Labrador e não em relação a todas as raças. Participavam desse ranking aproximadamente 35 criadores da raça.

    Aqui no Brasil existem 2 rankings de criador. O oficial que é o ranking CBKC e o DogShow. Em ambos o critério é de pontos.
    No ranking CBKC ao homologar um Título conquistado pelo cão essa homologação, de acordo com esse título, vale um determinado nº de pontos. Assim a soma dos pontos de todos os títulos homologados por um criador no ano determinam o seu posicionamento no ranking.
    O ranking DogShow é pelo resultado dos cães do criador (somente os da sua criação - se o criador leva um cão que não é da sua criação os pontos são computados para o criador do cão)durante todo o ano nas exposições somente durante a disputa do Melhor da Raça. (Melhor do Grupo e Final de Exposição não entram nessa contagem).
    Formam a pontuação em cada pista o nº de cães batidos e os pontos dos certificados conquistados. Esses certificados tem limite máximo e a partir dái passam a ser descartados. Já o nº de cães batidos nunca a descarte.

    Em relação a outra indagação (bíblias) acho que não consegui ser claro nas minhas palavras. O que o Paulo falou é uma verdade mas tb nem era a isso que estava me referindo.
    O que tentava dizer é que com pouca informação transmitida muitas pessoas não sabem que grandes criadores em suas raças (icones)escreveram livros grandiosos, daí eu chamar esses livros de bíblias. Assim, como saber a importancia desses livros e desses criadores se não se tem informações sobre a raça. Infelizmente esses livros passam desapercebidos e o que ganham força e estão sempre nas prateleiras da maioria dos proprietários são os que falam do cão Labrador.
    Pessoal entendam que ao se conhecer a Raça Labrador o cão Labrador já está todo explicado. E ninguem melhor que um criador que cria ou criou a raça por 40, 50 anos para relatar isso.

  8. Bem Alcides,gostava de fazer duas ou tres perguntas que penso que seriam de valor acrescentado para esta entrevista.
    1º Ca em Portugal tem se falado que nas expos existe muito o factor TRELA,(e nao falo so de Labs),ou seja so consegue supostamente ser CH se tiver um bom afixo por tras ou se o criador for amigo de alguem e tiver conhecimentos!Isso tambem se verifica ai?
    2º Infelizmente,todos aqueles que fazem um bom trabalho,sao muitas vezes alvo de criticas e os outros aproveitam se da mais pequena falha para lhe manchar a reputaçao.Cheguei a ler inclusivamente no FB de um criador que ai havia um grupo de criadores que viviam para criticar os outros.Ja aconteceu consigo?
    3º No meio de tudo isto e ao fim de 7anos,continua com a vontade de cada dia fazer mais e melhor ou ja desanimou algumas vezes e pensou que todo o esforço seria em vao?

  9. qazzam escreveu:Bem Alcides,gostava de fazer duas ou tres perguntas que penso que seriam de valor acrescentado para esta entrevista.
    1º Ca em Portugal tem se falado que nas expos existe muito o factor TRELA,(e nao falo so de Labs),ou seja so consegue supostamente ser CH se tiver um bom afixo por tras ou se o criador for amigo de alguem e tiver conhecimentos!Isso tambem se verifica ai?
    Isso acontece em todo lugar do mundo.

    2º Infelizmente,todos aqueles que fazem um bom trabalho,sao muitas vezes alvo de criticas e os outros aproveitam se da mais pequena falha para lhe manchar a reputaçao.Cheguei a ler inclusivamente no FB de um criador que ai havia um grupo de criadores que viviam para criticar os outros.Ja aconteceu consigo?
    Já, inclusive fiquei sabendo que um certo criador quando recebia visitas de futuros compradores e tivesse a infeliz ideia de dizer que tb viria aqui ver meus filhotes, os visitantes escutavam que se ele quisesse qualidade deveria comprar lá, pq aqui nós so tirávamos ninhadas chocolates pq eram mais fáceis de serem vendidas e nos precisavamos da venda dos filhotes pra pagar as nossas contas.
    Isso foi me contado por um pessoa que achou a campanha contra nós tão ofensiva que desconfiou e resolveu vir até aqui. Comprou o filhote conosco e na saída nos contou tudo isso.
    E acreditei pq outras vezes ja tinha escutado de outras pessoas a mesma frase com todas as letras " se vc quer comprar qualidade é somente aqui que vc ira encontrar"

    3º No meio de tudo isto e ao fim de 7anos,continua com a vontade de cada dia fazer mais e melhor ou ja desanimou algumas vezes e pensou que todo o esforço seria em vao?
    Olha uma frase que digo muito é a seguinte. Quero paz para criar meus "viralatas". Pouco me importa se A ou B não gosta de meus cães, quando subo até o canil, gosto do que vejo la dentro e é o que me importa.
    Somos um canil com pouco tempo de criação e com alguns otimos resultados ja com a nossa criação. Resultados esses que muitos criadores só conseguiram com mais tempo de criação. Os Handlers que trabalhei e o que trabalho hj não são de ponta, basta dizer que com o atual somos o primeiro criador de Labrador que trabalha com ele já que o costumeiro para ele é a apresentação de Dobermann e Rott e ele pegou a "mão" com a raça Labrador.
    Baseado nisso tudo, pq desistir?? Tenho ainda muito a aprender, muito a errar e acho que tenho condições de melhorar mais ainda e com certeza isso virá a seu tempo.
    Desanimar, já aconteceu sim. Era uma época onde a trela estava pesando muito nos julgamentos e no final de um desses julgamentos "um Anjo da Guarda" vendo a minha cara de desanimo me disse o seguinte:
    "Alcides entenda que é muito melhor as pessoas verem como vc perdeu do que ver como quem ganhou"
    A partir dessa frase, o desanimo ficou pra trás.

  10. qazzam escreveu:(...)
    1º Ca em Portugal tem se falado que nas expos existe muito o factor TRELA,(e nao falo so de Labs),ou seja so consegue supostamente ser CH se tiver um bom afixo por tras ou se o criador for amigo de alguem e tiver conhecimentos!Isso tambem se verifica ai?
    (...)

    qazzam, tomo também a liberdade de comentar a sua primeira pergunta. Acredito que em muitos casos isso acontece e porque parece-me que vi isso numa ou noutra exposição onde estive mas acredito que os juízes têm vindo a ser mais imparciais e eu pessoalmente sou um exemplo (eu e a Marta). Não sou criador logo não tenho afixo, não tenho amigos e quando estou em ringue sou somente um número, aliás, a minha cadela é e no meio de tantos abutres, ela consagrou-se CH PT.

  11. Pineland - Alcides26 de março de 2011 · #11
    NunoS@rdine escreveu:
    qazzam escreveu:(...)
    1º Ca em Portugal tem se falado que nas expos existe muito o factor TRELA,(e nao falo so de Labs),ou seja so consegue supostamente ser CH se tiver um bom afixo por tras ou se o criador for amigo de alguem e tiver conhecimentos!Isso tambem se verifica ai?
    (...)

    qazzam, tomo também a liberdade de comentar a sua primeira pergunta. Acredito que em muitos casos isso acontece e porque parece-me que vi isso numa ou noutra exposição onde estive mas acredito que os juízes têm vindo a ser mais imparciais e eu pessoalmente sou um exemplo (eu e a Marta). Não sou criador logo não tenho afixo, não tenho amigos e quando estou em ringue sou somente um número, aliás, a minha cadela é e no meio de tantos abutres, ela consagrou-se CH PT.

    Lendo a sua postagem vi que posso ter sido abrangente demais ao dizer na postagem ao qazzan que isso acontece em todo lugar do mundo.
    Na verdade o apadrinhamento acontece, mas isso não quer dizer que todo julgamento é assim.
    Existem juizes integros e tb juizes integros que pouco entendem ou não tem simpatia pela raça que podem até fazer julgamentos horríveis mas são da cabeça dele e não por causa de quem está apresentando o cão.

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