Cão de Serra da Estrela
Iniciado por Bark em 29 de fevereiro de 2008 · 5 mensagens
Tem o seu solar na Serra da Estrela desde remotas eras, perdendo-se no tempo a sua variedade origem. Deve ser, no entanto, uma das raças caninas mais antigas da Península Ibérica.
Encontra-se desde as imediações das faldas da Serra, até às mais elevadas altitudes (2000 metros aproximadamente), sobretudo no Verão em que, desaparecida a neve, as pastagens vicejam nas altas planuras, sendo procuradas pelos gados, visto, nas regiões do sopé, o calor excessivo ter dessecado toda a vegetação pascigosa. Os cães acompanham os rebanhos, como guardiões vigilantes, defendendo-os das feras que tais paragens infestam. Encontram-se, ainda, dispersos por vários pontos do país, sobretudo no Centro, vindos da Serra, quando cachorros ou nascidos já de reprodutores oriundos das regiões serranas.
I – ASPECTO GERAL E APTIDÕES
Cão convexilíneo, molossóide, tipo mastim; inseparável companheiro do pastor e guarda fiel do rebanho que, encarniçadamente, defende contra os lobos e roubadores de gado. Esplêndido guarda de quintas e habitações; de defesa pessoal e até utilizado, com vantagem, como animal de tracção.
Animal rústico, bem entroncado, com viveza de andamentos e imponente de atitudes. Olhar vivo, calmo e expressivo. Respeitável pela sua poderosa agressividade para com os estranhos e de uma docilidade característica junto do pastor.
Bem proporcionado, morfologicamente perfeito, de uma acentuada de conjunto, reveladora de uma pureza étnica radicada pelo tempo.
II – CABEÇA
Forte, volumosa, de maxilas bem desenvolvidas. Pele lisa no crânio e na face. Alongada e ligeiramente convexa; de chanfradura nasal ( stop ) pouco pronunciada, e a uma distância aproximadamente igual da ponta do focinho e do vértice do crânio. Boa inserção. Proporcionada ao corpo, bem como o crânio em relação à face, o que lhe dá, em conjunto, uma acentuada harmonia.
REGIÃO CRÂNIO-FRONTAL – Bem desenvolvida, arredondada e de perfil convexo.
CRISTA OCCIPITAL – Apagada.
ORELHAS – Pequenas, em relação ao conjunto (11 cm de comprimento por 10 cm de largura); delgadas, trianguliformes, arredondadas na ponta; pendentes; de média inserção; inclinadas para trás; caindo lateralmente, encostadas à cabeça e deixando ver, na base, um pouco da face interna. São permitidas as orelhas cortadas, tendo, porém, preferência, as orelhas inteiras.
OLHOS – Horizontais, aflorados, de forma oval; regulares no tamanho, iguais e bem abertos; de expressão inteligente e calma; cor âmbar escuro, de preferência. Pálpebras fechando bem, e de bordos orlados de negro. Sobrolhos um tanto aparentes.
CHANFRO – alongado, estreitando para a ponta, sem afilamento; tende para o rectilíneo, na sua maior extensão, e muito ligeiramente convexo junto ao bico.
VENTAS – Direitas, largas e bem abertas. Sempre mais escuras do que a pelagem e, de preferência, pretas.
BOCA – Bem rasgada, de lábios grandes, pouco espessos, não pendentes e bem sobrepostos. Mucosa bocal e céu da boca intensamente pigmentados de preto, bem como os bordos labiais. Dentes fortes, brancos, bem implantados e adaptando-se bem.
III – TRONCO
PESCOÇO – Direito, curto e grosso; bem saído, bem unido e embarbelado sem demasia.
PEITO – Bem arqueado, sem ser cilíndrico; largo, profundo e bem descido.
LINHA SUPERIOR – Dorso quase horizontal e de preferência curto; rins largos, curtos, bem musculados e bem unidos com a garupa, que é um pouco descida.
LINHA INFERIOR – Abdómen pouco volumoso, proporcionado à corpulência do animal, ligando-se insensivelmente com as regiões confinantes; a linha inferior deve elevar-se, de uma forma gradual, mas suave, do esterno às virilhas.
CAUDA – Inteira, comprida, chegando até à ponta do curvilhão, quando o animal está tranquilo. Grossa, em cimitarra; de média inserção; bem guarnecida de pêlos e franjada nos cães de pêlo comprido, formando gancho na ponta. Porte baixo da horizontal, caindo naturalmente entre as coxas quando parado. Excitado o animal e em movimento, a cauda ultrapassa a horizontal, encurvando-se para cima, para diante, para o lado e para baixo.
IV – MEMBROS ANTERIORES E POSTERIORES
Bem aprumados, quando colocado o animal em posição conveniente. Antebraços e canelas aproximando—se da forma cilíndrica. Esqueleto bem constituído, bem musculado e com forte ossatura. Articulações grossas; ângulos de abertura regular, com grande facilidade de movimentos. Curvilhão um pouco descido, regularmente aberto e de boa direcção, seguindo-se-lhe uma canela vertical.
PÉS – Proporcionados à corpulência do animal. Bem constituídos; nem muito redondos, nem alongados em excesso; intermédios dos pés de gato e de lebre, de forma a evitar o espalmado. Dedos grossos, bem unidos e providos de pêlos abundantes nos espaços inter-digitais e entre os tubérculos plantares. Palmas grossas e duras. Unhas escuras, ou antes pretas e bem saídas.
Podem apresentar presunhos simples ou duplos.
V – PELAGEM
PÊLO – Forte, ligeiramente grosseiro, sem demasiada aspereza, fazendo lembrar, um pouco, o pêlo de cabra; liso ou ligeiramente ondulado e assente em quase todo o corpo; muito abundante, quer se trate da variedade de pêlo curto ou a de pêlo comprido.
Normalmente o pêlo apresenta-se desigual em certas regiões. Nos membros, dos codilhos e curvilhões abaixo, é mais curto e denso, assim como na cabeça; nas orelhas diminui de comprimento da base para a ponta, tornando-se fino e macio, é mais comprido na cauda, que é farta, grossa e franjada na variedade de pêlo comprido, em volta do pescoço e bordo inferior, formando barbela e nas nádegas, que são abundantemente franjadas, bem como a face posterior dos antebraços, sobretudo nos de pêlo comprido.
A pelugem é constituída por pêlos finos, curtos, abundantes e emaranhados na base dos pêlos grosseiros e, de ordinário, mais clara que a pelagem. Encontra-se, principalmente, na variedade de pêlo comprido.
CORES – Só são admitidas as pelagens fulva, lobeira e amarela, unicolores ou com malhas brancas.
VI – ALTURA
De 65 a 72 cm para os cães e de 62 a 68 cm para as cadelas.
VII – ANDAMENTOS
Movimentos normais e fáceis.
VIII – DEFEITOS
PENALIZAÇÕES E DESQUALIFICAÇÕES
CABEÇA – muito estreita , comprida e afilada;
MAXILAS – prognatismo;
OLHOS – gázeos ou desiguais de tamanho;
ORELHAS – má inserção, muito grandes, carnudas e redondas;
CAUDA – amputada, rudimentar ou falta de nascença;
PELAGEM – albinismo, ventas muito claras e, em especial, almaradas, pêlo afastando-se muito do tipo natural;
CORPULÊNCIA – excessiva (gigantismo) ou diminuta (nanismo), podendo conceder-se uma tolerância de mais ou menos 4 cm.http://racas.cpc.pt/pt/old/sestrela.pdf

imagem indisponível
Tenho um serra da estrela e é lindo, tem uma postura um tronco ... quem não o conhecer mete respeito com aquele vozeirão 😀
- NunoS@rdine1 de março de 2008 · #3
Aqui está uma raça da qual gosto muito ou não tivesse sido eu criado até aos 6 anos no meio 4 belíssimos Serra da Estrela... 😉
- diogok_692 de março de 2008 · #4
bem ja tive 1,sao caes porreiros mas na minha opiniao um pouco dominante!
- paulojsdias27 de fevereiro de 2009 · #5
Durante muitos anos criei destes cães, neste momento o mercado esta muito difícil e a ultima ninhada já foi complicada de despachar apesar de só serem três, neste momento opto por não ter mais ninhadas. Outro dos factores que me leva a não ter ninhadas é o facto de não ser fácil encontrar um bom macho, eu tenho um casal mas o problema é que são mãe e filho e eu não quero que eles cruzem porque de certeza que os cachorrinhos vão ter problemas de saúde, a consanguinidade nos Serras é muito complicada.
Que posso eu dizer destes animais?!
Espectaculares com crianças, super carinhosos e mimados, bons cães de guarda, um facilidade tremenda de aprendizagem, bons cães pastores mesmo sem qualquer tipo de treino (esta-lhes no sangue).
Quanto a personalidade, enquanto pequenos são brincalhões, qualquer coisa lhes serve para brincar, peritos em estragar roupa ou roubar qualquer objecto que se deixe solto pela quinta. Quando crescem, os machos tem personalidades muito fortes, se não se educarem devidamente enquanto cachorros será muito difícil, para não dizer impossível, educa-los já na fase adulta. As cadelas são mais submissas e mais brandas.
Este cão tem uma necessidade enorme de espaço, tem que poder correr, brincar, mexer-se à vontade.
Não são cães que comam muito, alias, até chegam a ter períodos de jejum em que por muita comida que se lhe dê, eles simplesmente não lhe tocam.
Se tiverem duvidas em relação a estes cães estejam a vontade, eu respondo.
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