Perdigueiro Portugês
Iniciado por Bark em 1 de março de 2008 · 5 mensagens
ESTALÃO DO PERDIGUEIRO PORTUGUÊS
O cão perdigueiro vive disperso por todo o território metropolitano, encontram-se mais numerosamente nas grandes aglomerações citadinas, em que é bastante elevada a existência de devotos de Santo Huberto,
seus possuidores.
No que respeita à sua proveniência, ignorada como ainda hoje é a estirpe originária, seria temeridade afirmar duma maneira peremptória, como verdadeira, uma determinada origem, pois que não passaria duma hipotética asserção, visto tal certeza não se fundamentar em factos insofismáveis, por ausência da necessária comprovação. Possivelmente originário do Oriente, a existência do braco da Península Ibérica remonta a épocas bem longínquas e a sua presença em Portugal parece egistar-se, com certa verosimilhança, desde as últimas décadas do século XIV. Sendo assim, é crível que com o decorrer dos tempos e por influências de vária natureza, algumas modificações que se produziram na indivíduo originário, hoje se encontrem fixadas no cão actual, de forma a poder ser considerado o perdigueiro português ou o braco nacional como um aborígene, constituindo, pelas suas características morfológicas,
dinâmicas e psíquicas, uma raça autóctone, perfeitamente definida.I – ASPECTO GERAL E APTIDÕES
Cão mediomorfo, rectilíneo, tipo bracóide; buscador tenaz e caminheiro activo, bate os terrenos com a constância e pertinácia do explorador teimoso, procurando insistentemente o que o levou à liça isto é, a
caça, pondo ao serviço de tão afadigosa missão a extraordinária subtilidade do seu olfacto e dispensando à busca toda a atenção que ao seu experiente conhecimento lhe merece o acto de caçar. Trabalhador sagaz, em desinteressada e imprescindível colaboração com o caçador desportivo, do qual deve andar próximo e em perfeito contacto com ele; silenciosamente, agindo com natural vivacidade, cabeça alta, tomando
ventos, de maneira a revelar ao caçador apercebido, pelas suas atitudes e olhares, posição da cauda e ainda pela forma como anda, as impressões sentidas pela sua acuidade olfactiva, o bom perdigueiro denota sempre uma acentuada vontade de bem servir com inteligência, e às vezes até com uma surpreendente e astuciosa habilidade. É um cão que fica estático quando os eflúvios da caça lhe despertam a actividade sensorial; que pára firme, em atitudes insólitas, associadas a um estado psíquico que lhe é
próprio; fácies contraído, olhar hirta, um membro levantado e indiferente, por momentos, ao que se passa em volta, desde que na zona olfactiva das cavidades nasais as emanações evoladas da caça próxima sejam
por ele sentidas duma forma repentina. Nada egoísta, associando-se com manifesta alegria ao prazer que o omem sente em praticar o desporto cinegético, embora sob temperaturas e nos mais variados terrenos, o
seu maior interesse é dar caça à morte, e caída a peça, a sua maior recompensa é ir cobrar de ferido para trazer à mão, serviço este que admiravelmente realiza, mercê de uma potencial vocação que, em
igualdade de circunstâncias, não receia confrontos.
É um animal extremamente afectivo, muito submisso, chegando até a ser importuno e, por vezes inconveniente, quando por falta de ensino não obedece aos gestos nem às intimativas vocais. Animal bastante sociável, mas um tanto petulante para os da sua igualha, é gracioso de aparência, calmo de temperamento, mas vivaz, e de interessante plasticidade de atitudes.
Tipo mediolíneo, proporcionalmente constituído e dum conjunto harmonioso. Boa configuração denotando uma sólida estrutura, aliada a manifesta elasticidade de movimentos.II – CABEÇA
Proporcionada de tamanho, em relação ao corpo, dá-nos no entanto, pela forma que apresenta, a impressão de maior grandeza, quando apreciada numa visão de conjunto. É um pouco grossa mas não muito ossuda nem empastada; deve ser revestida de pele flácida e fina que não enrugue, ou quando as rugas apareçam que sejam pouco acentuadas.
Vista de frente a cabeça dá-nos a impressão de quadrada; rectilínea de perfil; de stop bem visível ( ângulo crânio-facial perto dos 100º ) e desigualmente situado em relação ao occiput e à ponta do chanfro, visto
estar mais próximo desta.
Cabeça bem colocada e em boa união com o pescoço, o que lhe permite movimentos fáceis e até garbosos.
De boa conformação e proporcionalmente harmónica nas suas dimensões, a cabeça, vista por diante, apresenta, segundo uma linha ideal que a contorne e passe ao nível dos ângulos internos dos olhos, uma
nítida separação do chanfro e das regiões crânio-faciais.REGIÃO CRÂNIO-FRONTAL – Vista de frente, a testa é quase plana, alta, larga e simétrica; examinada
de lado, apresenta-se ligeiramente abaulada. Crista occipital apenas perceptível.ORELHAS – Medianas de comprimento ( 15 cm de comprimento e 11 de largura ), as orelhas devem ser
delgadas, macias, revestidas de pêlos finos, densos e rasos, bastante mais largas na base do que na ponta, numa relação aproximada de 1 x 2,5 e de vértice arredondado, assemelhando-se, pela forma do pavilhão,
a um triângulo de base superior. São pendentes de superfície quase plana, de alta inserção caindo bem e paralelas ente si e apresentando na face externa, quando o animal está atento, um ou dois pequenos sulcos
longitudinais, de profundidade e comprimento variáveis, mas nunca muito acentuados.OLHOS – Íntegros, iguais e simétricos; grandes, castanhos em diversos tons, mas de preferência escuros; de forma oval, horizontais, situados à flor da cabeça enchendo bem a órbita; guarnecidos de pálpebras finas e bem abertas, com facilidade de movimentos, cerrando bem a ambas, por igual, pigmentadas nos bordos de preto ou castanho, segundo a coloração das ventas: Há vivacidade na olhar, que é bem expressivo na animal adulto. Sobrolhos proeminentes, mas não em excesso, o que tornaria a cabeça ossuda.
CHANFRO – Direito, convenientemente largo e todo por igual, o chanfro deve unir-se duma forma bem destacada e ser plano em toda a superfície.
VENTAS – Em perfeita rectangularidade com o chanfro e lábio superior, as narinas devem Ter boa conformação, notável amplitude e larga abertura. Devem ser negras nos animais portadores de pelagens camurça e acamurçadas; pigmentadas, preferencialmente, de castanho claro ou escuro, nos cães de pêlo da mesma cor, mas de tons mais abertos.
BOCA – medianamente fendida, de mucosas irregularmente pigmentadas, a boca deve fechar bem, de modo a permitir a normal sobreposição dos lábios superiores, que são pendentes, mas não em demasia, pouco carnudos, quadrados vistos de perfil, caindo naturalmente e sem dobras e unindo-se aos inferiores por comissuras flácidas e pregueadas, donde resulta os cantos da boca apresentarem-se um pouco descaídos. A normalidade dentária deve sempre existir, no que respeita à nascença, constituição, forma e crescimento dos dentes, para que sempre que o animal cerre a boca, se dê o completo afrontamento das maxilas, que são bem ajustáveis e normalmente desenvolvidas.
III – TRONCO
PESCOÇO – Direito, esboço de rodado no terço superior, não muito grosso, mais sobre p comprido e guarnecido inferiormente de curta barbela, o pescoço deve ligar-se à cabeça de uma forma graciosa e
segundo uma inclinação, em relação a ela, de aproximadamente 90º, e unir-se ao tórax, sem apreciável transição, de modo fazer um conjunto harmónico e perfeito.PEITO – Região peitoral alta e larga, indicando boa amplitude do tórax, que deve ser mais desenvolvido no sentido da altura e profundidade de que em largura, e descer até ao codilho. O peito é delimitado por
costelas de curva bem pronunciada na sua parte superior, e de apreciável largura, dando à cavidade torácica, por elas circunscrita, e em secção, a forma de uma ferradura normal do membro anterior do cavalo, unida pelas partes terminais dos ramos.LINHA SUPERIOR – Ao garrote, não muito alto e um pouco empastado, segue-se o dorso curto, largo, rectilíneo e em perfeita horizontalidade e direitura com a região lombar, à qual se deve unir sem apreciável transição. O lombo deve também ser curto, bastante largo, de forte musculatura, o que o torna às vezes ligeiramente arqueado, e soldar-se bem com a garupa, a qual apresenta uma proporcional largura
em relação à região lombar, conformação harmónica e um eixo de pequena obliquidade, que nos dá a impressão de levemente descaída.LINHA INFERIOR – Do esterno à virilha, a linha que passa pela parte inferior do tórax e abdómen, ligando este aos membros posteriores, é sensivelmente oblíqua, de baixo para cima e de diante para trás,
segundo a natural disposição do contorno torácico-abdominal, denotando, em conjunto, com a linha que circunscreve superiormente o tronco, uma certa elegância de formas, para o que muito contribui uma barriga de diminuto volume e a pequena distância a separar a anca da última costela, o que dá ao flanco o aspecto de curto e cheio.CAUDA – em geral cortada pelo terço posterior, a cauda, quando inteira, não deve exceder o curvilhão, sendo até preferível não o atingir. Direita, de média inserção, grossa na base, adelgaçada gradualmente,
mas não muito, para a ponta; bem presa, bem saída, em perfeita continuidade, portanto, com a linha média da garupa, a ligação da cauda deve fazer-se de maneira a completar ou, porventura, realçar, a
airosidade da silhueta corporal. Em quietação o animal apresenta o rabo pendente, caindo com naturalidade ao longo das coxas, mas nunca metido entre as pernas; em movimento a cauda levanta-se, atinge a horizontal ou eleva-se um pouco acima, mas nunca vertical, nem se encurvando em foice. Ainda sob o ponto de vista dinâmico, o animal quando caça imprime à cauda, ou ao côto, movimentos de lateralidade, dum acentuado sincronismo com o locomoção.IV – MEMBROS ANTERIORES E POSTETIORES
Examinados em estação, os membros anteriores, vistos por diante, seguem a direcção das linhas normais de aprumo; vistos por detrás, os membros posteriores apresentam-se também aprumados. Tanto o bípede
anterior como o posterior, devem estar colocados em perfeito paralelismo com o plano médio do corpo.
De perfil, os aprumos são também normais. De observação, em conjunto, deduz-se existir uma grande estabilidade de apoio e natural facilidade de andamentos.ESPÁDUA – Comprida, de regular inclinação, bem colocada e um pouco carnuda.
BRAÇO – Situado junto ao tórax, como a espádua, o seu comprimento deve estar em relação com a distância que separa o garrote de qualquer ombro e a sua obliquidade, com o grau de inclinação da espádua.
ANTEBRAÇO – Desligado do tronco, alto, direito, e, sob o ponto de vista estático, em manifesta perpendicularidade com o chão, tanto de frente como o perfil.
CODILHO – Separado do tórax pela axila, o cotovelo deve estar íntegro, ser bem decido, sem convergência nem divergência em relação ao peito.
BOTELO – Em perfeita continuação com o antebraço.
QUARTELAS – Largas, ligeiramente oblíquas e proporcionais em comprimento.
COXA – De preferência comprida, larga, musculosa.
NÁDEGA – Apresenta-se em curva mais ou menos acentuada, da base da cauda ( ponta da nádega ) à corda do curvilhão ( dobra da nádega ), dependendo o seu comprimento da relação existente entre o
comprimento e a obliquidade da coxa; é sempre bem que seja comprida e um pouco em relevo.SOLDRA – Situada um pouco abaixo do abdómen, mas não muito afastada dele, a badilha é ligeiramente saliente e um pouco desviada para fora.
PERNA – Em boa direcção e de comprimento proporcional ao da coxa, a sua obliquidade deve estar correlacionada com a inclinação da garupa.CURVILHÃO – Normalmente aberto e bem colocado, o jarrete deve apresentar completa integridade ser largo ( da curva ao nó ) e grosso ( duma a outra face ).
CANELAS – Curtas, verticais, proximamente cilíndricas, de regular grossura e enxutas.
ARTICULAÇÕES E ÂNGULOS ARTICULARES – Aparentemente bem desenvolvidas, tanto em largura como em espessura, as uniões articulares devem fazer-se de modo a permitir grande facilidade e
amplitude nos movimentos de locomoção. A direcção dos raios ósseos deve estar em correlação com as bases ósseas das regiões limítrofes,
formando ângulos de abertura variável, mas nunca prejudiciais à regularidade dos andamentos.PÉS – Proporcionados ao comprimento dos membros e à corpulência do animal, os pés devem Ter mais tendência para arredondados do que para compridos, sem contudo se assemelharem ao pé felino. Dedos bem conformados, juntos para dar solidez ao apoio e uniformidade do conjunto podal. Tubérculos digitais altos, bem desenvolvidos, e bem destacados, cobertos por uma epiderme anegrada, espessa, dura e bastante resistente ao agastamento. Unhas bem crescidas, duras e pretas, de preferência.
V – PELAGEM
PÊLO – O pêlo deve ser curto, forte, bem assente, pouco macio e denso. Distribuído naturalmente por todo o corpo e quase por igual, excepto nas axilas, virilhas, terços e bragadas, em que se apresenta mais disperso e mais macio, o pêlo torna-se fino e raso na cabeça e principalmente nas orelhas, pelo que dá ao tacto uma grande suavidade, sobretudo nestas últimas, que dão a sensação de aveludadas. Não tem pelagem.
COR – Amarela e castanha, unicolores ou malhas brancas.
VI –ALTURA
A altura do garrote é, para os machos, de 56 cm e para as fêmeas de 52 cm, com uma tolerância para mais e para menos de 4 cm.
PESO – O peso médio para os machos adultos, em bom estado de apresentação, é de 23,5 Kg e para as
fêmeas, em igual estado, de 19 Kg.VII – ANDAMENTOS
Movimentos de locomoção normais.
Em trabalho o andamento típico é o trote, largo, fácil, cadenciado, levantando bem os membros e pousando, rítmica e alternadamente, os bípedes diagonais direito e esquerdo: assentam na chão, no
primeiro caso, os membros anterior direito e posterior esquerdo, estando os outros em elevação; no segundo caso, o apoio faz-se sobre os membros anterior esquerdo e posterior direito, ficando em suspensão os restantes.VIII – DEFEITOS
DESQUALIFICAÇÕES
CABEÇA – atípica; OLHOS – gázeos ou desiguais na forma e no tamanho, amaurose; ORELHAS –
atípicas, de má inserção, muito grandes, carnudas, excessivamente dobradas ou em saca-rolhas, surdez;
MAXILAS – prognatismo em qualquer das maxilas; NARIZ – ventas almaradas; CAUDA – não existente
de nascença, muito rudimentar, amputada por completo ou de porte descaracterizante, quando inteira;
PRESUNHOS – existência de presunhos, embora rudimentares; ALTURA – gigantismo ou manismo (
muito acima ou muito abaixo da marca ); PELAGEM – pêlo diferente do tipo da raça, albinismo.http://racas.cpc.pt/pt/old/perdigueiro.pdf
imagem indisponível
http://www.perdigueiroportugues.com/default.htm[/img]
Uma raça do caneco, sem dúvida!
- Pointerman17 de março de 2008 · #3
Um patrimonio com muitos altos e baixos devido a modas.
- NunoS@rdine18 de março de 2008 · #4
Pointerman escreveu:Um patrimonio com muitos altos e baixos devido a modas.
E é o que acontece também em muitas outras raças...
- Pointerman18 de março de 2008 · #5
Sim mas o lamentavel e que foi "recuperado" recentemente com muito trabalho,trabalho este prejudicado por meia duzia de pessoas que so pensam em aforrinhar o mais depressa no mais curto espaço de tempo.
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