Cãotinho do Labrador

Dilatação e Torção Gástrica (GVD)

Iniciado por Bark em 6 de abril de 2008 · 16 mensagens

Arquivo do fórum (2003–2018), só de leitura. As conversas continuam na comunidade.
  1. Dilatação e Torção Gástrica (GVD)

    [b]O que é a Dilatação e Torção Gástrica (GVD)?

    A GVD é uma patologia em que o estômago se encontra dilatado com gás e, adicionalmente, pode ocorrer uma torção sob o seu eixo maior, resultando numa fermentação e aprisionamento de gás e ingesta no estômago.

    imagem indisponível
    Im.1

    O que é que provoca esta patologia?

    A causa definitiva ainda está por esclarecer. Provavelmente esta patologia resulta de uma interacção de vários factores de risco, nomeadamente: exercício vigoroso após ingestão de grandes quantidades de água ou após refeições; ingestão de dietas muito fermentáveis como feijão, grão, etc., associadas a uma única refeição diária, cadelas pós-parto com aumento das necessidades calóricas, stress e aumento da aerofagia (ingestão de ar). Animais que apresentem congenitamente um aumento da laxitude dos ligamentos hepatoduodenais e hepatogástricos são mais predispostos a sofrerem de dilatação e torção gástrica. Defeitos na eructação e uma diminuição do esvaziamento gástrico contribuem também para o aparecimento de GVD.

    Trata-se de uma situação de urgência médica?

    Sim, provavelmente é uma das patologias não traumáticas que resultam em morte, sem a ajuda imediata do médico veterinário.

    Existem algumas raças mais susceptíveis do que outras?

    Estatisticamente sabe-se que raças de grande porte com peito profundo como os Doberman Pinscher, Dogue Alemão, Setter, Pastor Alemão, São Bernardo, Serras da Estrela, Fila Brasileiro entre outras, são mais predispostas para ocorrer dilatação com torção gástricas.
    No entanto ocasionalmente, pode ocorrer em raças pequenas como os Bulldogs Ingleses, Terriers, Basset Hound, Teckels, Caniches e Pequinois apenas dilatação do estômago.
    Não existe predisposição sexual, podendo afectar animais entre os 2 meses e 15 anos. Normalmente esta condição ocorre 2 a 3 horas após a ingestão de uma refeição.

    Qual a taxa de sobrevivência?

    Depende das circunstâncias em que o animal entre na clínica. Há que ponderar diversos factores vitais como: severidade e agravamento da situação, problemas cardíacos secundários, extensão das áreas de necrose do estômago, entre outros. Existe a probabilidade de cerca de 15 a 20% de morte dos animais após cirurgia.

    Podemos prevenir a ocorrência de GVD?

    A gastropexia preventiva em animais predispostos é o método mais eficaz para evitar a ocorrência, podendo ser recomendado como profilaxia em animais valiosos. Na maior parte dos casos esta cirurgia não previne a dilatação mas sim a impossibilidade de torcer.
    O maneio dietético passa por administrar duas refeições fraccionadas diárias, restrição de exercício antes e após a ingestão de água e/ou comida. Ter especial atenção às necessidades dietéticas pós-parto e minimizar as situações de stress. Estas são algumas das situações em que os proprietários poderão intervir para minimizar os factores de risco, no entanto não hesitem em contactar-nos para mais algum esclarecimento relativamente a esta patologia que tanto afecta os nossos animais de companhia resulta de uma interacção de vários factores de risco, nomeadamente: exercício vigoroso após ingestão de grandes quantidades de água ou após refeições; ingestão de dietas muito fermentáveis como feijão, grão, etc., associadas a uma única refeição diária, cadelas pós-parto com aumento das necessidades calóricas, stress e aumento da aerofagia (ingestão de ar). Animais que apresentem congenitamente um aumento da laxitude dos ligamentos hepatoduodenais e hepatogástricos são mais predispostos a sofrerem de dilatação e torção gástrica. Defeitos na eructação e uma diminuição do esvaziamento gástrico contribuem também para o aparecimento de GVD.

    Factores importantes a ter em conta:

    - Esta patologia ocorre primariamente em cães de raças grandes e peito profundo.
    - A dilatação gástrica sem torção pode ocorrer ocasionalmente em raças pequenas.
    - O estômago distendido confere uma aparência dilatado no flanco esquerdo do animal.
    - A percursão digital do estômago por de trás da última costela produz um som timpânico característico .
    - O estômago dilatado faz compressão sobre o diafragma começando a ocorrer dificuldades respiratórias.
    - Os animais tentam vomitar mas não o conseguem pois a passagem do cárdia para o esófago encontra-se obstruída pela torção. Pode existir hipersiália (formação excessiva de saliva).
    - A torção do estômago faz com que a circulação entre os vasos sanguíneos gástricos e esplénicos fique comprometida, resultando num choque profundo.
    - Finalmente o animal colapsa, deitando-se lateralmente, podendo observar-se o enorme volume distendendo o abdómen.

    É possível distinguir entre uma dilatação gástrica e uma dilatação com torção?

    Através da realização de um raio X abdominal, o veterinário conseguirá distinguir as duas situações.

    imagem indisponível
    Im.2

    Porque é que o cão entra em choque?

    O gás acumulado no estômago comprime as veias abdominais que transportam o sangue de volta para o coração. A privação de sangue para os tecidos tem como consequência uma diminuição do aporte de oxigénio, fazendo com que o animal entre em choque. Adicionalmente, a pressão exercida pelo gás nas paredes gástricas provoca uma inadequada circulação sanguínea tendo como consequência a morte e ruptura da parede gástrica. A entrada de toxinas para a circulação e sua posterior absorção agravam ainda mais o quadro de choque.

    O que é que pode ser feito?

    A assistência por parte do médico veterinário deve ser imediata. É necessário que a pressão nas paredes do estômago e órgãos internos seja diminuída através da passagem de um tubo pelo estômago. Esta pressão também pode ser aliviada utilizando um catéter perfurando o estômago
    É imperativo que se inicie o tratamento para reverter o choque com grandes quantidades de fluidos intravenosos. Uma vez que o paciente se encontre estabilizado, o estômago deverá ser recolocado na posição anatómica correcta. Para tal o animal tem de ser submetido a cirurgia abdominal sem demoras.

    Em que é que consiste a cirurgia?

    Após a recolocação do estômago na sua posição fisiológica, tem de se prevenir que haja recorrências, para tal é utilizado uma técnica cirúrgica – gastropexia. Este procedimento consiste em suturar uma porção do estômago à parede abdominal para que este não volte a rodar sobre si mesmo. Se existirem áreas de necrose (morte) da parede do estômago deverão ser removidas.

    imagem indisponível
    Im.3

    Qual a taxa de sobrevivência?

    Depende das circunstâncias em que o animal entre na clínica. Há que ponderar diversos factores vitais como: severidade e agravamento da situação, problemas cardíacos secundários, extensão das áreas de necrose do estômago, entre outros. Existe a probabilidade de cerca de 15 a 20% de morte dos animais após cirurgia.

    Podemos prevenir a ocorrência de GVD?

    A gastropexia preventiva em animais predispostos é o método mais eficaz para evitar a ocorrência, podendo ser recomendado como profilaxia em animais valiosos. Na maior parte dos casos esta cirurgia não previne a dilatação mas sim a impossibilidade de torcer.
    O maneio dietético passa por administrar duas refeições fraccionadas diárias, restrição de exercício antes e após a ingestão de água e/ou comida. Ter especial atenção às necessidades dietéticas pós-parto e minimizar as situações de stress. Estas são algumas das situações em que os proprietários poderão intervir para minimizar os factores de risco, no entanto não hesitem em contactar-nos para mais algum esclarecimento relativamente a esta patologia que tanto afecta os nossos animais de companhia

    http://www.hospvetporto.pt/servicos/are ... he/80.html

  2. Excelente informação 😉

  3. Boa João! 😉

  4. Muito boa,infelizmente e dolorosa ate de ler,ate arrepia.

  5. Diogo, dá um olhinho neste artigo 😉

  6. ja tive a ver e pareceu-me util! 😀

  7. diogok_69 escreveu:ja tive a ver e pareceu-me util! 😀

    Bastante. Pode mesmo ser fatal, todos os cuidados são poucos.

  8. Quem já leu "Marley e Eu" deve lembrar-se que esta foi a causa da morte daquele maravilhoso cão...

  9. Sim, que, pelo esalão do AKC, era bem maior do que os nossos, mas mesmo assin, nunca fiando.

  10. Venho "desenterrar" este tópico porque tenho algumas dúvidas...

    imagem indisponível

    imagem indisponível

    imagem indisponível

    QUESTÕES RELATIVAS AO PROBLEMA DA ROTAÇÃO DO ESTOMAGO/TORÇÃO GÁSTRICA

    1- Apartir de que idade há o perigo da rotação de estomago?

    2- Quais os conselhos/métodos para tentar evitar esta patologia?

    3- Quando um labrador faz a sua refeição, quanto tempo deverá descansar até voltar a brincar (correr, saltar, nadar, etc)?

    4- Durante as refeições deve-se dar água ao mesmo tempo que comem?

    5- Quando voltam do passeio quanto tempo se deve esperar para lhe dar de comer?

    (NOTA: Informação retirada de um livro meu - "O labrador retriever" da Editorial Presença)

    Já agora resumi o 1º post em vários tópicos:

    Algumas das situações em que os proprietários poderão intervir para minimizar os factores de risco:


      - gastropexia preventiva;
      - administrar refeições fraccionadas diárias;
      - restrição de exercício antes da ingestão de água e/ou comida;
      - restrição de exercício após a ingestão de água e/ou comida;
      - evitar exercício vigoroso após ingestão de grandes quantidades de água;
      - evitar exercício vigoroso após refeições;
      - não beber água a seguir ou antes de comer;
      - não misturar as três coisas: comida, água e esforço físico;
      - evitar ingestão de dietas muito fermentáveis como feijão, grão, etc;
      - stress e aumento da aerofagia (ingestão de ar).
  11. Olá João. Uma das regras mais importantes do nosso Forum é identificar as fontes de onde retiramos a informação de certos posts. Por isso pedia-lhe gentilmente que o fizesse no seu post. Obrigado.

  12. NunoS@rdine escreveu:Olá João. Uma das regras mais importantes do nosso Forum é identificar as fontes de onde retiramos a informação de certos posts. Por isso pedia-lhe gentilmente que o fizesse no seu post. Obrigado.

    A informação foi retirada de um livro que possuo 😉

  13. joaomaia escreveu:
    NunoS@rdine escreveu:Olá João. Uma das regras mais importantes do nosso Forum é identificar as fontes de onde retiramos a informação de certos posts. Por isso pedia-lhe gentilmente que o fizesse no seu post. Obrigado.

    A informação foi retirada de um livro que possuo 😉

    Obrigado João.

  14. NunoS@rdine escreveu:Quem já leu "Marley e Eu" deve lembrar-se que esta foi a causa da morte daquele maravilhoso cão...

    Mal saiu o livro comprei-o logo, adorei-o ... o q eu chorei no fim :cry

  15. Eu falei a vet no hospital e ela disse que e raro acontecer com os labradores :roll

  16. Susana Nunes escreveu:Eu falei a vet no hospital e ela disse que e raro acontecer com os labradores :roll

    A verdade é que a mim também já me disseram! Aliás, inclusivamente a estatística é bem reduzida nessa raça.

Tem uma dúvida parecida?

Perguntar à comunidade