Cãotinho do Labrador

Neoplasia

Iniciado por Paula2212 em 6 de setembro de 2010 · 3 mensagens

Arquivo do fórum (2003–2018), só de leitura. As conversas continuam na comunidade.
  1. Prezados, gostaria da ajuda de algum especialista para entender melhor o que houve com meu Labrador que faleceu no úlitmo dia 03-09-2010 de neoplasia. Ele tinha 06 anos e era muito saudável. Na quinta-feira a noite sentimos que ele estava com a barriga um pouco acentuada. Levamos o mesmo no veterinário na sexta-feira pela manhã. Ele fez exame de sangue e constatou que suas taxas estavam muito altas. Fizeram então uma ultrasom do abdomên e constataram que ele estava com o baço e o fígados rompidos (perfurados). Nos deram a opção de fazer uma cirurgia de urgência e emergência em que o risco de sobrevivência dele seria de menos de 7%. Ficamos desesperados, não sabíamos o que fazer, e infelizmente ele veio a óbito no mesmo dia. Será que alguém poderia tentar me esclarecer o que pode ter acontecido? O meu Aragorn, como era chamado, NUNCA reclamou de dor conosco e isso foi que nos deixou muito intrigado. Aguardo ajuda !!!!!

  2. Ola Paula, seja bem vinda a este forum.
    Antes demais quero lhe dizer que lamento imenso a sua perda.
    Espero que esta informação a possa ajudar a esclarecer algumas duvidas.

    Tumores do Baço
    Palavras chave: cancro, neoplasias do baço, cão, gato, hemangiossarcoma esplénico.

    Introdução
    O baço é um órgão do sistema imune localizado no lado esquerdo do abdómen no cão e no gato. Embora não seja um órgão vital (os nossos animais domésticos podem viver sem ele) ele desempenha algumas funções importantes na resposta imunitária.
    O baço pode ser origem de vários tipos de neoplasias importantes nos nossos animais, algumas delas relativamente comuns. O diagnóstico destas neoplasias pode ser feito através de palpação abdominal e/ou recorrendo a técnicas de imagiologia como a radiografia e principalmente, a ecografia. Depois de identificada a neoplasia, o diagnóstico definitivo é conseguido mediante citologia ou biópsia após remoção cirúrgica do baço.

    Diferentes tipos de neoplasias do baço em cães e gatos
    Hemangiossarcoma- Trata-se de um tumor maligno dos vasos sanguíneos comum em cães. Por ter origem nos vasos sanguíneos, estes tumores sangram facilmente e muitos cães apresentam-se na consulta de urgência com quadros de choque hemorrágico (perdas de sangue abundantes para o abdómen). O tratamento consiste na remoção de baço e administração de quimioterapia adjuvante.

    Linfoma- O linfoma pode surgir no baço na forma de doença disseminada envolvendo também este órgão ou limitar-se a ele. Esta última forma é mais comum em gatos, embora alguns cães possam apresentar linfomas indolentes (crescimento lento) que podem ser curados apenas com cirurgia sem necessidade de recorrer a quimioterapia. Todas as outras formas envolvem tratamento com quimioterapia.

    Mastocitoma- Mais comum em gatos. Tal como o linfoma pode ser diagnosticado por citologia. O tratamento consiste na remoção do baço e quimioterapia após a cirurgia conseguindo-se em alguns casos esperanças de vida de 2 anos.

    Sarcoma histiocítico- Neoplasia altamente maligna. Recentemente, a utilização de um novo medicamento- lomustina- permitiu-nos obter melhor resultados no seu tratamento.

    Hematoma/esplenomegália/nódulo hiperplasia- Nem sempre um baço aumentado de tamanho é sinónimo de cancro. Hematomas, nódulos benignos de hiperplasia e aumento de tamanho do baço associados a outras doenças (anemia, hemoparasitas) são os principais diagnósticos diferenciais. Para distinguir todos estes achados é importante enquadrar a sintomatologia com os achados ecográficos e, se possível, realizar citologia aspirativa.

    Conclusão
    Existem várias doenças tumorais no baço. Algumas delas benignas, outras bastante agressivas. Felizmente, mesmo nestes últimos casos, já existem modalidades de tratamento que nos permitem conseguir períodos mais ou menos longos de qualidade de vida para os nossos animais.

    Após o diagnóstico de neoplasia num animal o proprietário vê-se perante a difícil situação de decidir o passo seguinte: tratamento ou eutanásia. Infelizmente sabe-se hoje que se recorre excessivamente à eutanásia nos casos de animais com cancro. Isto deve-se a vários factores:

    As palavras cancro e quimioterapia despertam vários medos nos proprietários (muitos deles infundados como veremos à frente) sendo a eutanásia encarada como forma de aliviar o sofrimento do animal e a ansiedade do proprietário.
    Muitos veterinários encaram o diagnóstico de uma neoplasia como etapa final do processo clínico. De facto até há alguns anos atrás as opções de tratamento eram reduzidas, mas hoje tal já não é verdade sendo obrigação do veterinário discutir todas as opções de tratamento com o proprietário.

    Custos do tratamento. De facto alguns tratamentos possuem custos que podem ser elevados. No entanto, como os tratamentos se prolongam no tempo isto permite fasear os pagamentos do referido tratamento. A maior parte dos centros veterinários também tem disponíveis facilidades de pagamento de forma a que nenhum animal deixe de ser tratado por limitações financeiras.
    Indisponibilidade de tempo para os tratamentos. Alguns tratamentos exigem visitas semanais ao Hospital. Para contornar esse problema disponibilizamos atendimento 24h o que permite aos proprietários entregar e levantar o animal em horários de conveniência.

    Perguntas mais comuns realizadas pelos proprietários com animais com doença oncológica:

    O cancro pode ser curado?
    Algumas formas de cancro ‘locais’ podem ser curadas através de cirurgia como por exemplo alguns tumores mamários e alguns sarcomas.

    A quimioterapia está indicada para todos as neoplasias?
    Não. Ela pode ser usada como forma de tratamento único em algumas neoplasias disseminadas (linfoma, leucemias, mastocitomas, mielomas) ou como tratamento adjuvante para retardar o aparecimento de doença após a cirurgia (hemangiossarcoma, osteossarcoma,…).

    Com que periodicidade é administrada a quimioterapia?
    Depende do protocolo. Para os Linfomas a frequência é semanal. Para outras neoplasias os tratamentos exigem visitas ao hospital cada 3 semanas.

    Como funciona uma sessão de tratamento?
    O cliente tráz o animal pela manhã para um exame físico e hemograma (análise ao sangue). Se estes se revelarem normais o animal é hospitalizado e o proprietário regressa a casa. De seguida é colocado um cateter endovenoso e administrado o fármaco. Todo o processo não demora mais de 40 minutos e no final é enviado um sms ao proprietário para vir levantar o seu animal. Este apenas leva um pequeno penso no local do cateter. No Hospital Veterinário do Porto são fornecidas instruções escritas ao proprietário e o nº de telemóvel do médico responsável para que o proprietário possa esclarecer qualquer dúvida em casa.

    Quais os efeitos secundários mais comuns?
    Os protocolos de quimioterapia em medicina veterinária são menos intensivos que em medicina humana pelo que o nosso objectivo não é atingir curas mas sim prolongar o tempo de vida com uma qualidade normal. Assim, os efeitos secundários são muito menos comuns nos animais. Os mais frequentes são os vómitos e diarreia. A queda de pêlo é extremamente rara. O efeito secundário mais preocupante é a septicemia (infecção generalizada) resultante da diminuição das defesas do organismo causada pelos fármacos usadas. Felizmente é rara. Na maior parte das vezes imperceptível aos olhos de um amigo ou familiar que um determinado animal esteja a realizar sessões de quimioterapia.

    Continuo com dúvidas… Como decidir?
    A decisão de avançar com um tratamento de quimioterapia é feita a dois: veterinário e proprietário. É importante para o médico sentir que o cliente está empenhado e não vai desistir na primeira contrariedade. O que se revela bastante frustrante para os dois. Assim, de forma ajudar a decidir aconselhamos alguns passos:

    Substituir as palavras “quimioterapia” e “cancro” por “tratamento” e “doença crónica” e analisar objectivamente a situação. Ex: animal com “doença crónica” cujo “tratamento” envolve visitas semanais durante 19 semanas e cujo custo aproximado do tratamento é X. A esperança média de vida é de 12meses e durante o tratamento o animal vive uma vida normal. Este pequeno exercício permite-nos tomar decisões objectivas não influenciadas por palavras com conotações negativas como “cancro”e “quimioterapia”. Assim se explica que muitos proprietários aceitem tratar doenças cardíacas, renais,… Com prognósticos muito piores que algumas formas de cancro e recusem tratamentos de quimioterapia.

    Avaliar a resposta ao primeiro tratamento, particularmente nos Linfomas, existe normalmente uma resposta muito positiva alguns dias após o primeiro tratamento. O grau desta resposta permite-nos também aferir a probabilidade de sucesso de tratamento: animais com respostas muito positivas e sem grandes efeitos secundários no primeiro tratamento têm uma probabilidade muito maior de responder a longo prazo ao tratamento e uma probabilidade menor de evidenciar efeitos secundários constituindo bons candidatos a continuar o tratamento.

    Se continuar com dúvidas pode contactar o Dr. Hugo Gregório através:
    Tel. 22 83 48 170

    Fonte: http://www.hvp.pt/2010/03/29/tumores-do ... no-gato-2/

  3. os meus pesamos 😉 😉 😉

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