Cãotinho do Labrador

Inseminação Artificial

Iniciado por Pineland - Alcides em 15 de fevereiro de 2008 · 1 mensagem

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  1. Inseminação Artificial
    Aumento das Taxas de Concepção na Criação de Cães

    Criar cães requer não somente amor por eles, mas também um sincero desejo de melhorar a raça. Selecionar a criação é uma arte para o criador – cães não são acasalados por acaso, ou simplesmente para se obter uma ninhada de filhotes, mas para “selecionar” animais e pedigrees que melhorarão o tipo, estrutura e temperamento.

    Após intenso planejamento e preparação, o criador ansiosamente aguarda sua preciosa ninhada. Ele escolhe um reprodutor, enquanto espera sua matriz entrar no cio; procura saber sobre sua taxa de concepção e se tem realizado análise de sêmen. É fácil realizar uma simples análise de sêmen e esta pode mostrar a você se o macho tem uma alta contagem de espermatozóides, e se estes têm uma boa mobilidade. Se ele é um padreador prepotente (prepotência em transmitir características específicas a suas ninhadas, com fêmeas de diferentes linhagens ), ele pode ser usado com freqüência.

    O bom manejo do padreador inclui atestados sobre sua saúde, número de filhotes em cada ninhada e uma análise básica de sêmen. Seu objetivo é cobrir a fêmea no cio com espermatozóides viáveis durante o período da ovulação.

    Criadores e veterinários estão se informando sobre os diferentes métodos para prever o momento certo da ovulação – a citologia vaginal (esfregaço) é um excelente e barato método, se for aplicado e lido corretamente. Se a amostra coletada for muito pobre, apresentará um resultado incorreto. Testes do nível sangüíneo de progesterona são excelentes para prever o período da ovulação, se o leitor do resultado tiver experiência.

    Em acréscimo aos métodos para a assistência a um bom acasalamento natural, pode-se usar a inseminação artificial para o aumento das taxas de concepção. Uma simples inseminação artificial usada em substituição quando da falha de uma cobertura natural, ou no acasalamento de um padreador pequeno com uma fêmea maior, é um método fácil para garantir uma boa fertilização.

    Há muitas razões para se usar a Inseminação Artificial – muitas situações em acasalamentos aparecem no manejo do macho que tornam a cobertura natural impossível ou indesejável. Cães novos podem ser inexperientes; ausência de interesse na fêmea; tamanho da vulva ou constrição da mesma; a necessidade de proteção contra transmissão de infecções.

    O padreador deve estar nas melhores condições físicas possíveis. Mesmo um cão mais velho, ou aquele não usado com freqüência, deve ter seus espermatozóides microscopicamente avaliados quanto ao número e mobilidade. Na minha prática, nós realizamos diariamente quatro tipos básicos e avançados de análise de sêmen, e observamos problemas quanto ao número, mobilidade e volume que podem ser melhorados com ejaculações freqüentes. Nós, freqüentemente, vemos um grande número de “células redondas”( células brancas do sangue - leucócitos ), que podem aparecer devido a irritações ou infecções. Elas causam aglutinação ou grumos, impedindo os espermatozóides de apresentarem mobilidade adequada fora do líquido seminal e, conseqüentemente, alcançar os óvulos. A terapêutica antibiótica trata perfeitamente estes casos. Infecções crônicas ou ejaculações purulentas devem requerer exame cultural no macho, assim como septos na pele que impedem a extensão normal do pênis. O pênis também deve ser examinado quanto a pequenas lesões pustulosas ou lacerações que podem causar sangramento durante a ereção – o sangue atua como espermicida, reduzindo a mobilidade dos espermatozóides. Também se deve procurar anormalidades nos testículos. Um teste inicial para brucelose deve ser feito a intervalos anuais, enquanto estiver na reprodução. O sobrepeso pode ser um severo empecilho e pode acarretar dificuldade na monta, impedindo o macho de ficar suficientemente alto nas costas da fêmea, a fim de efetuar uma penetração completa durante o acasalamento.

    Da mesma forma, a fêmea deve ser rigorosamente avaliada antes do acasalamento quanto às vacinas e realizar um exame parasitológico de fezes. Um teste para pesquisa do verme do coração deve ser realizado nas áreas onde há este parasita. A presença de qualquer verminose deve ser rigorosamente tratada, pois uma infestação de qualquer tipo pode impedir o nascimento de filhotes saudáveis. Sempre questione o proprietário ou responsável pelo macho sobre quais os exames a serem realizados na fêmea. Questione em que período do cio ela deve ser enviada e compartilhe qualquer tipo de problema de acasalamento, se houver, ou que seja prevalente na sua linhagem.

    No mínimo um mês antes da fêmea entrar no cio, ela deve ser avaliada cuidadosamente. A escolha do momento do cruzamento será mais acertada se o dono do macho souber o 1º dia do ciclo e se recebê-la o mais cedo possível durante o ciclo. Muitas fêmeas mais jovens tendem a ovular no 10º dia do ciclo e estão prontas para conceber entre o 12º e 14º dias. Quando a fêmea fica mais velha, seu ciclo fica menor e ela tende a conceber mais cedo. Antes de ser enviada ao macho, deve ser testada para brucelose e realizado um esfregaço vaginal para afastar a possibilidade de infecções, que podem interferir na concepção ou na prenhez. O veterinário também pode avaliar quanto ao tamanho normal do orifício da vagina e a presença de anel de constrição que impede uma penetração adequada. A futura mãe deve estar no peso adequado, mas nunca acima do mesmo. Animais com problemas de excesso de peso tendem a apresentar problemas de ovulação e sofrer com alterações hormonais. Insuficiente nível de FSH (hormônio folículo-estimulante ) pode não chegar aos ovários para amadurecer os óvulos, e, mais problemático ainda, insuficiente nível de LH( hormônio luteinizante ) pode não liberar os mesmos. Isto ocorre em nossa clínica diariamente. A fêmea com peso excedente que não tem exercícios regulares pode ter dificuldades durante o parto. Nutricionistas acreditam que estando com o peso adequado três semanas antes do acasalamento pode aumentar a fertilidade. Um pequeno aumento da taxa de gordura corporal na fêmea facilitará a atuação dos diferentes hormônios da glândula pituitária. Esta é uma prática utilizada na produção de animais conhecida como “flushing”.

    Dos muitos milhões de espermatozóides liberados durante uma simples ejaculação, apenas um pequeno percentual chega ao oviduto. O resto morre, devido ao ambiente encontrado na vagina, ou como resultado do processo de fertilização. Os espermas depositados podem viver alguns dias no útero e ovidutos aguardando o amadurecimento dos óvulos. Depois que os óvulos desprendem-se dos ovários, amadurecem em torno de 72 horas antes que possam unir-se aos espermatozóides; os óvulos vivem alguns dias aguardando a chegada do esperma.
    O espermatozóide consiste em uma cabeça arredondada que contém o núcleo celular e uma longa cauda usada como propulsor para chegar até os óvulos. Esta mobilidade é também necessária para penetrar no óvulo. Nós observamos na clínica uma intensa relação entre mobilidade e fertilização. Os espermatozóides podem ter uma excelente sobrevida de mais de sete dias na fêmea. Tem sido demonstrado que o macho necessita de três dias para produzir novamente uma boa contagem de espermatozóides, após cada ejaculação completa. Uma relação significativa existe entre contagem de espermas e taxa de concepção/tamanho de ninhadas. O cão é diferente de outros mamíferos, não encontramos vesículas seminais fazendo parte de sua anatomia reprodutiva. A ejaculação do cão é um gotejamento lento que requer alguns minutos. A primeira parte é clara e contém poucos espermatozóides. A segunda parte é mais concentrada e contém um grande número de esperma. A parte final é chamada de fluido prostático e serve para “lavar” a uretra e neutralizar a acidez vaginal. Esta terceira fração também ajuda na propulsão dos espermatozóides em direção a cérvix e para dentro do útero. Após dois a três minutos necessários para o término da ejaculação, o período em que os cães ficam unidos no acasalamento natural (nó), tem pouco efeito na concepção ou número de filhotes produzidos. Não é necessário um verdadeiro “nó” acontecer para que ocorra a concepção, se houver uma boa inseminação (deposição de sêmen).

    A Inseminação Artificial tem sido reconhecida como possível há duzentos anos. O sêmen é coletado e introduzido no canal vaginal da fêmea. Quando feita corretamente, é tão eficiente quanto um acasalamento natural. Não prejudica nem o macho, tampouco a fêmea para futuros acasalamentos naturais e não traumatiza a fêmea em relação à penetração. A principal razão para o eventual insucesso da Inseminação Artificial é que, freqüentemente, apenas é usada como último recurso após a falha do método natural, quando já é muito tarde no ciclo para haver a concepção. Fêmeas que tiveram prolapso vaginal, ou história de septos uterinos, podem rejeitar o intercurso devido à dor. Para mim tem sido útil naquelas fêmeas “problemáticas”, ou que tiveram pouco contato com outros cães. Resumindo, muitas ninhadas não seriam concebidas sem a Inseminação Artificial.

    Realmente, ela tem um forte papel no aumento das taxas de concepção.

    Fonte:
    Labrador Clube Gaucho.
    Diann Sullivan
    Tradução e adaptação: Ruth Corsini

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